O visto de engenheiro no Rio do deputado federal Sergio Naya (PPB-MG), responsável técnico pela construtora Sersan e a obra do edifício Palace II, que desabou parcialmente na madrugada de domingo, foi suspenso ontem por seis meses pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea/RJ). Durante esse período, o Crea vai investigar a responsabilidade de Naya no acidente e, se ficar comprovada sua culpa, ele pode perder a licença. O Crea cancelou também o registro da Sersan no Estado e a empresa terá de paralisar as seis obras em andamento.
Como o registro do deputado é de Minas Gerais e o conselho vai notificar o Crea mineiro, pedindo que a mesma providência seja tomada. Naya tem vistos ainda em Brasília e São Paulo. ‘‘A situação dele é atípica, porque é o responsável técnico pela empresa e obra na qual aconteceu o acidente’’, disse o presidente do Crea/RJ, José Chacon de Assis.
Co-responsável pela obra do Palace, o engenheiro Sérgio Murilo Domingues, cujo registro é do Rio, também foi suspenso por seis meses. ‘‘A suspensão temporária foi uma medida de prevenção, diante da gravidade do caso’’, disse Chacon. ‘‘Julgamos que seis meses é tempo suficiente para que os laudos técnicos sejam analisados e possamos tomar uma decisão definitiva.’’
A Prefeitura vai terceirizar a implosão do prédio. A terceirização é ilegal, segundo José Chacon de Assis. A empresa que vai executar o projeto é a CDI - Construção, Desmonte e Implosão, de São Paulo. Mas como ela não tem licença do Crea-RJ e do Exército para executar o serviço no Rio de Janeiro, a prefeitura contratou oficialmente a empresa carioca Steel, que subcontratou a CDI. O procedimento foi admitido pelo técnico da CDI, Manoel Diaz - ao iniciar ontem os preparativos para a implosão.
O juiz da 20ª Vara Cível do Rio de Janeiro, Rogério de Oliveira Souza, concedeu ontem liminar tornando indisponíveis os bens da Sersan. Pela decisão judicial, 25% de todo patrimônio mobiliário (faturamento, créditos, direitos e ações) também deverá ser depositado em juízo, até o dia 05 de cada mês. A medida servirá para garantir eventuais indenizações a moradores que perderam seus apartamentos durante o desabamento. Oito pessoas desapareceram no acidente. Só um corpo foi encontrado.

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