Crea-PR quer discutir ressaca com a comunidade
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domingo, 09 de dezembro de 2001
Marcelo Melero 
O Crea-PR reuniu em Curitiba no dia 29 de novembro o prefeito de Matinhos, Acidino Ricardo Duarte, o presidente da Câmara dos Vereadores de Matinhos, Diorando Cunha, e representantes da comunidade do Litoral para discutir soluções para evitar os danos causados pelas ressacas no Litoral. A reunião contou com a presença do presidente do Crea-PR, engenheiro Luiz Antônio Rossafa, e do engenheiro Guilherme Lindroth, responsável pelo projeto e execução das obras que recuperaram as praias Mansa e Brava de Caiobá.
A iniciativa do Crea-PR foi estimulada pela comunidade de Matinhos, representada pela Associação dos Proprietários e Moradores dos Balneários de Flamingo e Reviera (Asflar), que reclama a falta de comunicação com a Suderhsa Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental, órgão do governo responsável pelas obras que exige a praia de Matinhos. O físico Florêncio de Oliveira Filho, vice-presidente da Asflar e membro da coordenação do Comitê Pró-Recuperação do Litoral, diz que a solução que a Suderhsa quer dar ao caso é cara e apenas paliativa.
A Suderhsa quer investir no projeto do engenheiro Eduardo Gobbi, que recomenda o processo chamado ''engordamento artificial'', que consiste em deslocar a areia do fundo do mar para a ''engordar'' a praia por meio de dragagem.
Os engenheiros Guilherme Lindroth e Mário Forcadell, que fizeram um projeto de recuperação dos balneários de Matinhos e Caiobá, são contrários ao engordamento artificial porque, além de ser uma agressão ao meio ambiente já que é necessário explorar jazidas de areia que podem comprometer o ecossistema local , o custo da obra é muito alto, incluindo os custos de manutenção.
Lindroth usou gabiões (barreiras de pedras porosas embaladas por telas de aço para amortizar a energia das ondas) processo mais barato em seu projeto em Caiobá, onde foram construídos pequenos espigões para acelerar a deposição natural da areia.
O Crea-PR acredita que o problema não se trata apenas de valores, mas da eficiência e do peso ambiental que a obra refletirá. ''E quando se fala ambiental, não se refere apenas no meio ambiente, mas também aos fatores sociais. Por isso acreditamos que a discussão deva ser aberta a toda a sociedade'', comenta o arquiteto Roberto Sampaio.
O presidente do Crea-PR Luiz Antônio Rossafa diz que esse problema causado pelo mar é causa do mal planejamento urbano de Matinhos, que permitiu a ocupação e a construção da Avenida Atlântica onde não poderia.
A comunidade de Matinhos encaminhou ao Crea-PR um abaixo assinado pedindo o levantamento de responsabilidade técnica pela construção da Avenida Atlântica no trecho do Flamingo/Reviera à Praia de Leste. ''Além dos prejuízos que os moradores e o comércio estão tendo com a destruição de suas propriedades, existe outro aspecto que é a perda do investimento público'', comenta Oliveira Filho.


