O Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-RJ) vai encaminhar ao Congresso Nacional pedido de abertura de CPI para investigar o acidente com a plataforma P-36 da Petrobrás, que explodiu e afundou em março, na Bacia de Campos, matando 11 pessoas. Relatório apresentado ontem pela entidade aponta erros de gestão e gerenciamento da plataforma como causa do acidente, além de erros de projeto.
O documento prevê ainda investigação da atuação profissional de funcionários da estatal pelo Conselho de Ética do Crea. Entre os que podem sofrer desde advertência à cassação do registro estão o ex-presidente da Petrobras Joel Rennó e o diretor da área de ambiente, Irani Varella. A direção da estatal não havia comentado o conteúdo do relatório até as 17 horas.
O documento elaborado pelo Crea aponta que houve falhas desde a transformação da plataforma de perfuração numa unidade de produção, num estaleiro canadense. ''Encurtaram em 34 dias os trabalhos na plataforma e a montagem teve de ser concluída já na Bacia de Campos. Essa pressa toda foi para atender aos planos de produção que a Petrobras estabeleceu para ela mesma. Não podemos submeter a realidade técnica às metas de produção'', afirmou o presidente do Crea, José Chacon de Assis.
Chacon espera que a CPI no Congresso investigue o que chamou de ''relação promíscua'' entre a Petrobras e a Marítima Petróleo e Engenharia. Durante a gestão de Joel Rennó à frente da estatal, a Marítima venceu várias concorrências da empresa, entre elas a que desenvolveu o projeto que preparou a P-36 para produção.
Para o presidente do Crea, foi um ''profundo erro de projeto'' a instalação do tanque de drenagem de emergência (TDE) na parte interna de uma das pernas da plataforma. A explosão teria sido causada pelo acúmulo de gás nesse tanque, desestabilizando a plataforma, que afundou. Essas informações já faziam parte do relatório sobre as causas do acidente apresentado pela estatal, mas Chacon acusa o documento da Petrobras de ser omisso quanto à responsabilidade. ''Com certeza houve omissão no relatório da Petrobras porque eles responsabilizaram o mal funcionamento de peças, mas não apontaram os verdadeiros culpados. É uma questão ampla, de responsabilidade da alta gerência da empresa'', afirmou Chacon.
O relatório do Crea pede ainda que o Ministério Público do Trabalho investigue as terceirizações de funcionários das plataformas, que a Assembléia Legislativa dê prosseguimento à CPI sobre as causas do acidente. A Petrobras não se manifestou sobre o assunto ontem.

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