Cratera 'engole' muro de escola
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de março de 2005
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Um grande buraco se abriu levando o muro de uma escola pública em Almirante Tamandaré, na região metropolitana de Curitiba (RMC). A cratera surgiu durante o final de semana, mas desde fevereiro já havia um pequeno buraco no local. Há suspeita de que o problema tenha acontecido em função da exploração do Aquífero Karst pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). A Sanepar vai avaliar se a área onde foi aberto o buraco está dentro do compartimento do aquífero que está sendo explorado. No mapa da companhia ele aparece entre os poços e um local onde não há exploração.
''Foi um susto. Ele começou pequeno, mas de repente estava enorme. Ficamos com medo que atingisse o resto da escola, mas está longe das salas de aula e agora a prefeitura já está tapando'', afirmou a diretora da escola Jaci Real Prado, Deise Carvalho. A hipótese de que o buraco tenha surgido por causa da exploração do aquífero foi levantada porque há alguns anos uma escola da cidade, em frente a região onde estão os poços, ficou cheia de rachaduras e teve que ser interditada. Oito famílias que moravam na região tiveram que se mudar a pedido da Sanepar e hoje negociam a indenização.
''O solo de Almirante Tamandaré é de rocha calcária, que facilita este tipo de ação. Um geólogo nos explicou que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde, independente da exploração. Mas esta é só uma primeira explicação que temos'', afirmou o secretário de Obras e Urbanismo do município, Duarte José Corrêa.
Segundo o secretário, por esse motivo não é permitida a construção de prédios de mais de dois andares na cidade. Os empresários que vão construir edificações de maior porte têm a recomendação de fazer uma pesquisa mais profunda no solo. ''Quando eles pedem o alvará damos esta recomendação'', explicou Corrêa.
O gerente da unidade de hidrogeologia da Sanepar, João Horácio Pereira, afirmou que a Sanepar e a Universidade Federal do Paraná (UFPR) vão analisar o local e definir a posição do buraco. ''Se estiver dentro do compartimento do aquífero vamos fazer estudos mais detalhados para saber se a exploração teve influência ou não'', explicou.
O resultado da análise, segundo Pereira, deve ficar pronto até a próxima sexta-feira. O gerente da Sanepar também salientou que as rochas calcárias da região têm predisposição a afundar.


