CPT teme violência em desocupações
Emerson Cervi
De Curitiba
Integrantes do Conselho Regional de Representantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Paraná informaram ontem que a Polícia Militar estaria preparando 4 grupos policiais para a retirada de sem-terra de fazendas ocupadas em várias regiões do Estado nos próximos dias. Um policial nos falou do treinamento, o que comprova a intenção do governo de reiniciar as ações contra trabalhadores rurais durante a madrugada, disse Isabel Cristina Diniz, que pertence à coordenação nacional da CPT.
O coronel Sanderson Diotaveli, chefe do Estado Maior da Polícia Militar no Paraná não confirmou nem desmentiu a informação. A PM tem ordens para fazer ações de rotina preventivas e de cumprimento de ordens judiciais, como determina a Constituição federal, afirmou. Porém, uma fonte da Folha na Secretaria de Estado de Segurança Pública confirmou que há policiais sendo ambientados no interior do Estado. A CPT quer transformar a preparação da tropa em ato de violência, mas isso é feito para evitar que os policiais façam alguma besteira durante o cumprimento de ordens judiciais, informou o funcionário que prefere não ser identificado.
Um dos grupos de policiais estaria sendo preparado na região de Paranavaí, principal foco de conflitos agrários no Estado. Há um clima de intranquilidade no interior, gerado pela truculência do governo, que legitimou a violência contra os trabalhadores rurais, alertou a coordenadora da CPT.
Na próxima semana, deputados da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal devem visitar o interior do Estado. A CPT encaminhou denúncia sobre o crescimento da violência no campo às comissões de direitos humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da Câmara Federal e do Ministério da Justiça.
Coordenadores da comissão citam três fatos ocorridos nos últimos dias para comprovar o crescimento da violência: retirada de 15 famílias da Fazenda Tupi, no município de Honório Serpa, pela PM na madrugada de segunda-feira; agressão de dois sem-terra em Cascavel por jagunços encapuzados, como noticiado ontem pela Folha; e ameaça de desocupação da Fazenda Sandra, no município de Diamante do Norte, na madrugada de ontem. Enquanto isso, as milícias formadas pelos fazendeiros não são combatidas pela polícia, o que comprova a falta de vontade do governo Lerner de tratar das questões da reforma agrária com seriedade, completou Izabel Diniz.





