Curitiba, 07 (AE) - A Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Paraná e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) denunciaram ao secretário executivo da Comissão Internacional de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos (OEA), embaixador Jorge Taiana, "violações dos direitos humanos" no Estado. O coordenador da CPT-PR, Darci Frigo, pediu à OEA que cobre do governo federal medidas emergenciais para conter a violência.
De acordo com a CPT, desde 1980 foram mortos 57 trabalhadores rurais no Estado, 24 apenas no governo Jaime Lerner. Ainda segundo a CPT, mais de 250 pessoas foram presas no mesmo período e mais de 1.500 foram agredidas apenas na década de 90. "A Convenção Interamericana de Direitos Humanos prevê medidas cautelares na OEA sempre que houver casos de violação de direitos humanos e previsão de que possam ocorrer mais", disse Frigo.
A CPT também denunciou que os sem-terra Lorival Less e Valdecir Bordignon foram torturados durante a desocupação da Fazenda Santa Maria, em Ortigueira, na região central do Paraná, dia 29. Eles estão presos em Ponta Grossa e receberam a visita de uma comissão de direitos humanos ontem (06). Eles disseram que foram algemados, sofreram tentativa de afogamento e ameaça de estupro com um pedaço de cana. Bordignon teria sido forçado a comer esterco de gado.
O secretário de Segurança Pública do Paraná, Cândido Martins de Oliveira, disse hoje que reagia com "absoluta indignação" a essas denúncias. "Eles (os sem-terra) já são mentirosos estaduais e nacionais e agora vão se transformar em mentirosos internacionais", afirmou Oliveira. Segundo ele, as afirmações dos dois sem-terra presos são "criação da mentalidade fértil de alguém". "Para provar temos os laudos", disse. O laudo feito no dia da prisão identifica ferimentos leves no tórax. Os dois negaram-se a depor na polícia.
O secretário afirmou que a polícia tem agido "com absoluta transparência" e questionou "Qual a comprovação?", questionou. "Eles sim é que torturaram, eles sim é que mataram", acusou. Falando sobre a desocupação de seis fazendas hoje, Oliveira reafirmou que não houve nenhum tiro e nenhuma violência. Ele também disse que não há registro de que menores tenham sido colocados em camburão. "Todo mundo foi colocado dentro de ônibus", afirmou.

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