Luciana Pombo
De Curitiba
Representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT) devem protocolar hoje, no Ministério Público Estadual e Federal, uma representação por formação de bando e quadrilha contra a União Democrática Ruralista (UDR), que tem incentivado a desocupação de áreas ocupadas no interior do Paraná, como as que ocorreram no último domingo e anteontem em Marilena, no Noroeste do Estado.
Segundo Darci Frigo, coordenador da CPT, também será feita uma solicitação para que a Polícia Federal investigue o uso de armas pelos pistoleiros e fazendeiros que fizeram as desocupações das fazendas Santa Rosa e Novo Horizonte em Marilena. ‘‘Não podemos permitir que pessoas sejam feridas por pistoleiros que não têm qualquer amparo legal para fazer as desocupações’’, declarou ele.
O MST ainda acusa as Polícias Civil e Militar de dar cobertura às desocupações de fazendas no interior do Estado. Na Fazenda Santa Rosa, de acordo com os líderes do movimento, o próprio delegado de polícia teria participado da operação de desocupação. Na Fazenda Novo Horizonte, policiais militares teriam assistido à ação dos pistoleiros.
‘‘Não podemos ficar negociando novos assentamentos e desocupações pacíficas enquanto os trabalhadores rurais estão sendo violentamente retirados de áreas já ocupadas’’, afirmou Roberto Baggio, coordenador regional do MST. O delegado de Marilena, Daniel Alceu Mazotti, em entrevista à Folha, que tenha participado da ação.
Ontem, reunidos com representantes do Incra Estadual e Nacional, os líderes do MST pediram agilização da reforma agrária no Estado. O diretor nacional de cadastro do Incra, Eduardo Freire, garantiu que o governo federal deverá expedir o decreto de desapropriação de 18 áreas do Paraná até o dia 17 de dezembro. Mas para conseguir novas áreas para assentamento, Freire exigiu que o MST desocupe 24 fazendas no Paraná que poderão ser vistoriadas nos próximos dias. ‘‘Só podemos vistoriar uma área quando ela está desocupada’’, garantiu ele, com base no decreto federal 2250.
Nas primeiras fazendas que deverão ser liberadas pelo Incra, serão assentadas cerca de 1,2 mil famílias.

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