CPT e MST cadastram desempregados para ocupar 52 fazendas no Pará
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terça-feira, 23 de março de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 24 (AE) - Grupos de católicos, liderados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Pará, estão cadastrando trabalhadores desempregados na periferia das cidades de Belém, Castanhal e Marabá para invadir e ocupar 52 fazendas. Elas fazem parte de uma relação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).
O coordenador da CPT em Marabá, José Batista Afonso, informou que o cadastramento será encerrado na sexta-feira (26), quando diversas entidades ligadas à luta pela terra farão manifestações de protesto pela morte dos líderes do MST Onalício Araújo, o Fusquinha, e Valentim Serra, o Doutor.
O apoio da CPT e dos católicos acontece, disse Batista, por causa da falta de perspectivas das famílias de trabalhadores que, após perderem seus empregos, entram em "total desespero". Segundo ele, sem fábricas e projetos do governo do Pará para absorver os desempregados, a ocupação de terras improdutivas transformou-se na "única alternativa de sobrevivência dos trabalhadores".
O líder do MST, Raimundo Nonato Coelho de Souza, não descarta a invasão dos 450 mil hectares do "Cinturão Verde" da Companhia Vale do Rio Doce, em Parauapebas, no sul do Estado. Fazendeiros da região nordeste, informados sobre a possibilidade de invasão de suas terras, avisaram que estão contratando seguranças armados para enfrentar os sem-terra e desempregados reunidos pelo MST.


