Belém, 07 (AE) - A Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri) pediram hoje ao procurador da República em Marabá, Ubiratan Cazetta, a abertura de dois inquéritos, civil público e policial, para apurar supostas desapropriações superfaturadas. Seria o caso das fazendas Flor da Mata e Oito Barracas, no sul do Pará, desapropriadas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
As duas entidades entregaram a Cazetta vários documentos que, garantem, comprovariam o superfaturamento, principalmente no valor da terra nua e nas benfeitorias. Segundo o diretor da Fetagri, Francisco de Assis Soledade, apesar de as denúncias terem sido feitas em novembro de 98 à direção do Incra, em Brasília, "nenhuma providência foi tomada".
No caso da fazenda Flor da Mata, em São Félix do Xingu, o Incra desapropriou a área por R$ 2,533 milhões. Dois anos antes o mesmo proprietário havia comprado a terra por R$ 100 mil. Na fazenda Oito Barracas, em Marabá, desapropriada em julho de 98, o Incra pagou mais de R$ 1 milhão, incluindo "benfeitorias inexistentes", acusa Soledade.
A diretora do Incra, Maria Oliveira, confirmou ter recebido as denúncias. "Abrimos processo para apurar os fatos"
explicou. Maria Oliveira disse que as investigações estavam sendo conduzidas pela Procuradoria do órgão, a quem as denúncias foram encaminhadas.
O diretor de Recursos Fundiários do órgão em Brasília, Luiz Fernando Pimenta, informou que, no caso da Flor da Mata, a Justiça Federal nomeou um perito para fazer nova avaliação da fazenda e verificar supostos erros ou irregularidades. "Ainda não recebemos o resultado", disse. Sobre a Oito Barracas, afirmou não ter tomado conhecimento da denúncia feita pelas entidades. "Vou procurar me informar."

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