CPT denuncia que grampo foi ilegal
Dimitri do Valle
Pessoas do alto escalão do governo do Estado me confirmaram que a divulgação do grampo foi ilegal. A afirmação é do vice-presidente nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), dom Ladislau Biernaski. A conversa reservada que o religioso manteve na semana passada sobre o grampo telefônico feito na cooperativa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) em Querência do Norte aconteceu em Curitiba e abre um novo capítulo no embate travado entre o governo e o MST.
Dom Ladislau resolveu falar a sós com o alto integrante do governo depois da divulgação de conversas telefônicas de lideranças do MST no Jornal Nacional, da Rede Globo, há duas semanas. O grampo revelou críticas a postura da juíza do Fórum de Loanda, Elizabeth Khater, e a intenção de representantes do MST dispostos a cortar a cabeça da juíza. Khater é uma das principais responsáveis pela expedição de mandados de reintegração de posse de áreas no noroeste do Estado e de autorizar a prisão de lideranças do MST. Dom Ladislau disse que se alguém do MST quisesse cometer qualquer atentado contra a juíza não iria ficar falando sobre isso ao telefone.
De acordo com o vice-presidente nacional da CPT, a revelação do nome da fonte que lhe confidenciou que a divulgação do grampo foi irregular só será feita se o governo do Estado continuar com a campanha difamatória contra os sem-terra. Por enquanto vamos ficar aguardando os acontecimentos, alegou. O religioso disse que a conversa com o integrante do alto escalão não foi testemunhada por ninguém, sem a presença da imprensa ou de assessores. Apesar de revelar informações comprometedoras contra o MST, ele acredita que a divulgação do grampo acabou sendo mais um ponto negativo para o governo perante a opinião pública.
Entretanto, Dom Ladislau achou que a autorização dada pela juíza para realizar os grampos foi precipitada. A Justiça só pode autorizar a escuta telefônica para investigação criminal. Quando o grampo foi realizado, não havia um suspeito de qualquer crime e a autorização da escuta se transformou num pré-julgamento de todas as lideranças como sendo criminosas. Qual é o crime que alguém cometeu lá na cooperativa, em Querência do Norte?, indagou Dom Ladislau.Membro do primeiro escalão do governo, segundo vice-presidente da CPT, dom Ladislau Biernaski, confirma que medida foi ilegal
Arquivo FolhaCrimeDom Ladislau Biernaski, da CPT:a Justiça só pode autorizar a escuta telefônica para investigação criminal





