CPT culpará Bird por conflitos provocados após implantação de programa
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quarta-feira, 28 de abril de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 29 (AE) - O Banco Mundial será responsabilizado pelos "inevitáveis" conflitos que irão acontecer a partir da implantação do Banco da Terra. A avaliação é do presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), D.Tomás Balduíno. A CPT é um dos integrantes do Fórum Nacional de Reforma Agrária e Justiça no Campo, que hoje se reuniu com os técnicos do Banco Mundial, no Brasil para avaliar a necessidade ou não de instalar o painel de inspeção do Bird.
O Fórum quer a instalação do painel para avaliar os problemas que envolvem o programa Cédula da Terra. Segundo D.Balduíno, a substituição do mecanismo de desapropriação pela compra direta da terra torna inviável a reforma agrária no país."É um retrocesso", disse ele, explicando que os agricultores ficam sem condições de quitar suas dívidas.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) fez duras críticas. "O Cédula da Terra é uma contradição e não é viável economicamente", afirmou Gilberto Portes, da direção nacional da entidade."O que o governo quer é acabar com a desapropriação, que é o instrumento constitucional, e desmobilizar os movimentos sociais", sustentou Portes.
O Fórum deixou claro que deseja o financiamento do Banco Mundial, mas para a realização de investimentos em áreas de assentamento frutos da desapropriação pelo governo.A reunião com os integrantes do Banco Mundial chegou a ficar tensa e as vozes se alteraram no auditório da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Havia acusações do MST de que os técnicos do Bird visitaram áreas incluídas no Cédula da Terra mas não levantaram informações consideradas relevantes para o MST, referentes à viabilidade econômica do projeto.
O inspetor encarregado do painel, Edward Ayensu, esclareceu que o painel não estava no Brasil para certificar-se de denúncias ou reclamações. "Estamos aqui para falar com os diferentes grupos envolvidos, para levantar as informações de todos e ver se os projetos seguem os requisitos técnicos", explicou Ayensu. "Não estamos aqui para investigar governo ou quem quer que seja."
Depois de recolher informações, os integrantes do banco voltam para Washington (EUAA) para fazer um relatório destinado à direção do Banco Mundial, recomendando ou não a instalação do painel de inspeções. Esse relatório, a ser entregue em três semanas, tem influência sobre a decisão do banco de financiar ou não o Banco da Terra.
Amanhã (30) o grupo encontra-se com o ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann e com técnicos do Ministério do Planejamento. "A vinda deles foi importante porque levarão um recado à cúpula do banco", acredita D. Balduíno.


