CPT aponta aumento de desocupações no Paraná
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terça-feira, 18 de abril de 2006
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A média de desocupações de propriedades rurais no Paraná aumentou nos três primeiros anos da atual gestão do governador Roberto Requião (PMDB). A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgou ontem que entre 2003 e 2005 a média de desocupações realizadas no campo foi de 30,6 por ano no Estado. Segundo a CPT, nos oito anos do governo Jaime Lerner a média foi de 16,8 desocupações por ano.
Ainda de acordo com a comissão, em 2005 foram realizadas 29 ações de desocupação no Paraná, envolvendo mais de 3,5 mil famílias, das quais aproximadamente 400 foram retiradas através da ação de pistoleiros. Segundo a CPT, no ano passado foram registrados no Paraná 49 casos de conflitos no campo, índice inferior ao de apenas quatro Estados brasileiros.
No total, segundo a CPT, os conflitos em áreas rurais no Paraná resultaram em 95 casos de violência contra a pessoa em 2005. Destas ocorrências, cinco foram ameaças de morte e uma foi tentativa de assassinato. Nas ações de desocupação realizadas pelo poder público, 35 trabalhadores rurais foram presos - índice inferior apenas ao verificado no Pará, onde houve 76 prisões.
Isso mostra que as diferentes esferas do poder público estão atreladas aos interesses dos grandes proprietários, disse Rogério Nunes, secretário regional da CPT. O que motiva os conflitos é a permanência de um modelo agrícola concentrador e excludente. Os representantes da comissão afirmaram que a repressão contra trabalhadores rurais está aumentando em todo o Brasil, o que estaria reduzindo nacionalmente o número de ocupações e acampamentos.
A CPT pretende entregar aos candidatos das próximas eleições um documento com sugestões de mudanças na política agrária. Precisamos de um diálogo mais apurado sobre a questão da terra. Dependendo da resposta dos candidatos, cogitamos fazer uma campanha pelo voto em branco, disse Dionísio Vandresen, coordenador estadual da comissão.
Também ontem, a CPT lançou o livro Desterro, sobre conflitos no campo durante a década de 90 no Paraná. Segundo a comissão, durante o governo Lerner foram registradas várias violências contra trabalhadores rurais: 16 assassinatos, 31 atentados, 49 ameaças, sete torturas e 325 lesões corporais. Nesse período, 516 trabalhadores rurais foram presos.
Em nota, a Secretaria de Estado da Segurança Pública refutou os comentários dos membros da CPT: Em 1.188 dias, o governo do Paraná realizou 132 desocupações de áreas no Paraná, média de uma desocupação a cada nove dias. Este governo obedece às ordens judiciais. No entanto, agirá sempre de forma que as desocupações sejam pacíficas e acordadas. Tanto que em mais de três anos e 132 desocupações é insignificante a ocorrência de conflitos entre policiais e sem-terra.
Diz ainda a nota: A afirmação da CPT de que o número de pessoas presas evidencia um alto índice de conflitos é equivocada. Este governo respeita os movimentos sociais, entretanto todos os integrantes devem se submeter à lei. (...) A CPT comete injustiça quando deixa de reconhecer as políticas sociais deste governo junto aos movimentos, como a escola itinerante, a doação de alimentos e até mesmo de sementes. A Folha tentou contato com Jaime Lerner, mas a assessoria do instituto que leva o nome do ex-governador não respondeu à mensagem enviada pela reportagem.


