Curitiba- A Comissão Pastoral da Terra (CPT), entidade ligada à Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, divulgou ontem dados do relatório ''Conflitos no Campo Brasil 2007'', que reúne registros de confrontos envolvendo comunidades camponesas, movimentos e organizações de trabalhadores do campo.
O Paraná, conforme o relatório, é o segundo estado do Brasil em número de famílias vítimas de ações de grupos paramilitares no campo. Também é o segundo maior em número de famílias despejadas. Em ambos os casos, só perde para o estado do Pará nas estatísticas nacionais.
Segundo a CPT, 1188 famílias foram ''violentadas, ameaçadas e intimidadas'' por grupos armados ao longo de 2007 em todo o estado. O número é 35% maior que o do ano passado. O Paraná também sobressai nas estatísticas sobre ações de despejos no campo: 28 ações de reintegração de posse que resultaram no despejo de 2077 famílias. ''O governo (do Estado) tem implementado políticas melhores que o passado. Reconhecemos o avanço. Mas as políticas do Requião não têm dado muito resultado, e a violência cresce'', diz o assessor da CPT no Paraná, Jelson Oliveira.
No ano passado, foram registradas no Paraná duas mortes resultantes de conflitos no campo: uma do trabalhador rural Antonio Novakoski, que sofreu uma tentativa de homicídio em maio passado em São Mateus do Sul (91 km a nordeste de União da Vitória) e morreu 20 dias mais tarde; e outra do líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra e da Via Campesina Valmir Mota, o Keno, durante invasão à fazenda da Syngenta, em outubro de 2007.
No total, foram registrados pela CPT 89 conflitos no campo em todo o Estado em 2007, 73 deles ligados diretamente a disputas sobre terra, resultantes de ocupações, acampamentos e violência contra ocupação e posse. O Estado é o quarto no ranking nacional dos conflitos por terra e o quinto nos conflitos do campo, que incluem disputas por água, trabalho escravo, superexploração e desrespeito às leis trabalhistas.
Para o bispo de São José dos Pinhais e representante episcopal da CPT, dom Ladislau Biernaski, a solução para a diminuição dos conflitos no campo em todo o país é a reforma agrária. ''Hoje e cada vez mais temos as melhores terras nas mãos de poucos'', diz. A Pastoral da Terra classifica 2007 como o pior ano em desapropriações de terra para a reforma agrária na última década. Segundo a entidade, foram desapropriados 204,5 mil hectares, número três vezes menor que a média anual do primeiro mandato do governo Lula. ''Isso não é reforma agrária. O que precisamos é mudar a estrutura fundiária do Brasil''.

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