Curitiba- A Comissão Pastoral da Terra (CPT) acusou o governo de Roberto Requião (PMDB) de ''ressucitar táticas da era Lerner'' nas desocupações de terra. Ontem o governo estadual promoveu a remoção de cerca de 150 famílias acampadas na Fazenda Império, em Cândido de Abreu (191 quilômetros ao sul de Apucarana). Cerca de 400 policiais participaram da operação, que começou pela manhã e se estendeu até a noite. Segundo a CPT, as famílias acampadas foram humilhadas e sofreram agressões verbais.
O secretário-executivo da CPT, Jelson Oliveira, disse que os policiais separaram as lideranças do resto das famílias. ''Esse despejo revela que a Polícia Militar ainda trata o sem-terra como um bandido'', afirmou.
Para Oliveira, a atitude do governo estadual rompe o acordo firmado na semana passada e que estabelecia prazo para desocupação da Fazenda Sonda, próxima à Fazenda Império. ''A desocupação revela postura de endurecimento do governo com relação à questão agrária no Paraná'', acrescentou.
O presidente da União Democrática Rural (UDR) em Paranavaí, Marcos Prochet, favorável às desocupações, também criticou a ação do governo. ''Para onde essas pessoas vão? Provavelmente invadir outra fazenda que fica na região, como a Sonda'', disse.
A Secretaria de Segurança afirma que a desocupação foi pacífica e que acordo feito na semana passada não tem relação com a operação realizada ontem. A Fazenda Império tinha mandado de reintegração de posse expedido há dois anos. Essa foi a 25 desocupação neste ano. (R.F.)

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