CPT acusa governador de desumano
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de março de 1999
Por Carlos Mendes 
Belém, 29 (AE) - A negativa do governador Almir Gabriel (PSDB) em colaborar com veículos para a retirada, no último sábado, dos 150 trabalhadores que eram mantidos em regime de trabalho escravo na fazenda Maciel II, em São Félix do Xingu, no sul do Pará, provocou violento protesto da Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Tucumã e Xinguara.
Em nota divulgada hoje, a CPT refere-se a Gabriel como "desumano, que não se sensibilizou com as condições degradantes e perversas em que eram submetidos os trabalhadores na fazenda". No último final de semana, o governador disse que caberia ao governo federal retirar os trabalhadores do local.
Gabriel justificou que não havia sido informado sobre a operação do Ministério do Trabalho e Polícia Federal em território paraense. O governador mandou fax ao presidente Fernando Henrique protestando contra a operação. Ele disse a FHC que "não admite interferência do quarto escalão" do governo federal no Pará.
Segundo a CPT, muito além das questões diplomáticas e políticas entre as diversas instâncias de governo está a "questão humana, absolutamente esquecida pelo governador". Ao mesmo tempo em que critica o governo paraense, a CPT classifica a ação dos fiscais do Ministério do Trabalho e da Polícia Federal como de "extrema eficiência e competência".
A CPT compara a situação dos trabalhadores a de Jesus Cristo e deseja "boa Páscoa" ao governador Almir Gabriel.


