São Paulo, 14 (AE) - O Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (CPqD), do setor de telecomunicações, fechou o primeiro ano como fundação privada com receita de R$ 154 milhões e espera crescer mais de 22% até agosto de 2001. Antes da privatização da Telebrás, o orçamento do CPqD girava entre R$ 115 milhões e R$ 120 milhões.
Dessa receita, os contratos entre o CPqD e as companhias telefônicas privatizadas respondem por R$ 136 milhões e vão vigir, obrigatoriamente, até 2001. Da receita do CPqD nesse primeiro ano como fundação privada, os contratos compulsórios representaram 88% enquanto outros negócios responderam pelos demais 12%. A meta é que essa relação passe a ser de 76% contra 28%, respectivamente, com receita de R$ 188 milhões no ano 2001.
Um dos principais objetivos da Fundação CPqD é a fidelização desses clientes, mesmo com os novos controladores estrangeiros. Dos 154 softwares do CPqD instalados nas subsidiárias da Telebrás, as empresas privatizadas mantiveram 130. "A aceitação é de 84%", informou o presidente da Fundação CPqD, Hélio Graciosa.
Ele pretende conquistar ainda novos mercados para os softwares do CPqD entre as concessionárias de energia, e já lançou uma ofensiva comercial nesse sentido. Ele acredita que é possível desenvolver aplicativos para as operações energéticas e para as concessionárias desse setor que vão ingressar também nas telecomunicações.
A Fundação CPqD vem fechando parcerias com empresas de tecnologia estrangeiras para criar uma base internacional de vendas. Com a J.D.Edwards, o acordo é para adaptar softwares de gestão empresarial para o mercado americano. A Sun instalou no CPqD um laboratório de alta disponibilidade para checar a capacidade de softwares de billing e custome care. Com a Microsoft, o projeto é desenvolver produtos na plataforma Windows.
"O desafio de transformar conhecimento em produtos comerciais continua no segundo ano", afirmou Graciosa. O CPqD criou a tecnologia do cartão indutivo, utilizada nos telefones públicos, que já é comercializada para a China e a Bolívia. Recentemente uma nova versão dessa tecnologia chegou às operadoras, que conseguem agora identificar a origem do cartão e realizar a compensação dos impulsos pagos a uma empresa e gastos em outra.
A Fundação CPqD fez nesse primeiro uma redução de custos de R$ 6 milhões nas operação e reduziu o seu quadro em cerca de 50 funcionários. Hoje são 860 empregados. Para cumprir a nova função empresarial, criou as diretorias comercial e de desenvolvimento de negócios.

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