CPMF e Cofins reduzem investimentos em máquinas em 24,4%
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 04 de agosto de 1999
Por Milton F.da Rocha Filho 
São Paulo, 5 (AE) - A capacidade de investimento interno foi drasticamente afetada pela carga de tributos sobre máquinas e equipamentos, a ponto de as vendas caírem 24,4% no primeiro semestre do ano, alertou o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Carlos Delben Leite. "O retorno da CPMF com uma nova alíquota de 0,38%
o aumento da Cofins para 3% e o impasse em relação à cobrança do IPI tiveram influência negativa sobre a evolução dos negócios. As vendas domésticas foram afetadas também pelo adiamento de investimentos em diversas áreas, como a de infra-estrutura e a automotiva", disse ele.
Segundo Leite, o setor produziu US$ 5,5 bilhões no período de janeiro a junho de 1999, com retração de 24,4% em relação aos US$ 7,3 bilhões registrados em igual período no ano passado. "A queda do nível de atividade neste início de ano reflete ainda os efeitos da política cambial equivocada que tornou a economia brasileira vulnerável, gerando um processo recessivo cujas consequências foram alterações brutais nas taxas de juros e restrição ao crédito."
Ele explicou também que "o setor agrícola, que recebeu um impulso significativo no início do ano, perdeu fôlego e acusou retração a partir de maio. Vários empreendimentos, alguns deles anunciados em 1997, foram postergados à espera de uma melhor definição do cenário econômico".
Para completar o quadro da má situação, o presidente da Abimaq explicou ainda que "o mau desempenho da economia de diversos países da América Latina, tradicionais consumidores de máquinas brasileiras, impediu que as vendas externas deslanchassem no curto prazo. Em função disto, as exportações não reagiram conforme o esperado, apesar da desvalorização do real ter restaurado parte da nossa competitividade neste segmento".
Os fabricantes nacionais de máquinas e equipamentos exportaram US$ 1,54 bilhão no primeiro semestre, montante 19,66% menor que os US$ 1,92 bilhão do ano passado. A mudança no câmbio causou também um outro efeito. Levou à concessão de descontos nos preços em dólar, exigindo maiores volumes nos embarques para resultar nos mesmos valores em dólar exportados anteriormente.
A importação de máquinas e equipamentos também registrou queda no período. O ingresso de produtos estrangeiros caiu 7,11% até junho, com a entrada de US$ 3,57 bilhões de bens de capital em comparação com os US$ 3,85 bilhões importados no primeiro semestre do ano passado. O impacto no nível de emprego, porém, foi mais acentuado. Em 1998, o País deixou de empregar 52.380 pessoas por conta das compras no mercado externo e, em 1999, este número pode se elevar para 57.369 trabalhadores.


