CPIs trabalharão em conjunto na investigação do tráfico em SP
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2000
Por Vera Freire 
São Paulo, 15 (AE) - Os integrantes das CPIs do Narcotráfico da Câmara e da Assembléia Legislativa paulista decidiram que vão trabalhar em conjunto na investigação do tráfico de drogas, roubo de cargas e crime organizado em São Paulo, tendo como primeiro alvo as pistas de pouso clandestinas. "O tráfico internacional e interestadual de drogas é feito por avião", afirmou o sub-relator da CPI federal, deputado Celso Russomano (PPB-SP).
Segundo ele, a CPI federal possui o levantamento das pistas existentes. "Na região de Araraquara foram identificadas 16 pistas, que ninguém sabe como operam, disse. Para o presidente da CPI paulista, deputado Dimas Ramalho (PPS), os parlamentares terão de investigar a atuação e as formas de fiscalização dos aeroclubes e pistas construídas em propriedades particulares. "Se necessário podemos propôr uma legislação específica para utilização dessas pistas", afirmou.
A decisão foi tomada hoje durante reunião realizada na Assembléia entre Russomano e os integrantes da CPI paulista. Além da troca de informações, as duas CPIs vão realizar visitas conjuntas em municípios ou regiões dos Estado considerados mais críticos, como Marília, Ribeirão Preto, São Carlos, São José do Rio Preto, Sorocaba, Campinas, Atibaia, São José dos Campos, São Paulo, Grande São Paulo e Santos. "No Estado inteiro não existe hoje uma cidade que não tenha tráfico de drogas", afirmou Russomano.
O deputado Dimas Ramalho afirmou que pretende fazer um diagnóstico sobre a atuação dos órgãos de repressão, as fugas de traficantes do sistema penitenciário e fiscalização do transporte de cargas nas estradas. "O importante será mostrarmos o que pode ser feito em cada uma dessas áreas", avaliou Ramalho, que na quinta-feira (17) definirá com os demais integrantes da CPI os primeiros locais que serão visitados.
O presidente da CPI paulista também quer analisar como ocorrem as fugas dos traficantes do sistema penitenciário. Ramalho considera que outra linha importante de investigação é se está havendo transferências de presos para facilitação de fugas.
A união entre as duas CPIs facilitará o trabalho dos deputados paulistas, que já enfrentaram problemas na esfera federal. O presidente da CPI paulista encaminhou ofício ao Banco Central consultando se haveria algum estudo sobre lavagem de dinheiro no Estado de São Paulo. "Um funcionário lá do quarto escalão respondeu que não poderia nos dar essa informação porque somos agentes públicos estaduais e somente a CPI da Câmara Federal teria acesso a tais informações", afirmou Ramalho, sem esconder sua irritação pelo tratamento que lhe foi dispensado no ofício encaminhado pelo chefe da Assessoria Parlamentar do Banco Central, Luiz do Couto Neto.
A CPI paulista está recebendo denúncias através do telefone 0800 150 123. Dois policiais militares e um civil recebem cerca de 25 denúncias por dia, que são encaminhadas à CPI. O telefone funciona das 9 às 18 horas.
O deputado Russomano afirmou que durante a reunião desta quarta-feira (16) da CPI da Câmara dos Deputados deve ser marcada a data para que 15 policiais Civis e Militares de Campinas prestem depoimento. Os nomes dos policiais foram encontrados no computador do advogado Arthur Eugênio Mathias, preso sob a acusação de envolvimento no roubo de cargas. "Ao lado dos nomes constam valores, alguns deles muito elevados; queremos saber como o nome desses policais foram parar no computador do Arthur Eugênio", disse.
No mesmo computador , segundo Russomano, também foi encontrado um texto que o advogado utilizaria para ensinar seus clientes, acusados de roubo de cargas, sobre como agir diante de um juiz. Russomano revela que no texto o advogado orienta seus clientes a dizer que não sabiam que a carga era roubada, chorem e acusem os policiais de os terem torturado. "Essa cartilha é uma prova contundente de que o Arthur organizava e orientava sua quadrilha sobre como agir na sua ausência", afirmou Russomano. "Apesar de insistentes pedidos, até hoje a CPI não devolveu os computadores, disquetes e pastas de clientes do Arthur Eugênio, portanto, não posso comentar sobre documentos que desconheço", afirmou Caio Carneiro Campos, advogado de Mathias.


