Brasília, 28 (AE) - O ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga, disse hoje, em entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo, que a expectativa do presidente Fernando Henrique Cardoso e equipe é que o Congresso Nacional cumpra o seu papel de legislar, ao mesmo tempo em que investiga eventuais irregularidades no sistema financeiro e no judiciário, por meio das CPIs. "É muito importante que a gente compreenda que numa democracia as CPIs acontecem. Isso é normal. O que não pode é paralisar nem o Congresso, nem o País. Portanto, nós esperamos que a Câmara e o Senado possam votar matérias importantes que estão lá", afirmou o ministro, citando entre as prioridades a reforma tributária, a Lei de Responsabilidade Fiscal, a regulamentação da reforma administrativa, e a criação do Ministério da Defesa. "O Congresso existe para fiscalizar e para legislar.
A CPI cuida da fiscalização. É preciso que o Congresso continue legislando", defendeu. "O governo confia que o Congresso compreenderá que não pode deixar de cumprir também o papel de legislar. Toca as CPIs, apura o que tiver que apurar, e se houver culpados, que sejam punidos, mas que a parte legislativa também seja cumprida com exaustão".
Pimenta da Veiga, tentou minimizar a tentativa de partidos aliados do governo (PMDB e PFL) de fortalecer as agremiações, por meio das CPIs, independente dos efeitos e repercussões no governo federal. Segundo o ministro, o seu partido e do presidente Fernando Henrique Cardoso, o PSDB, não está preocupado em responder à ação desses outros partidos. "O governo em si deseja, neste momento especial, promover o desenvolvimento", afirmou. Segundo ele, o País conseguiu vencer a questão cambial e agora está pronto para crescer. "Nós não podemos distrair a atenção do País", defendeu o ministro. "Precisamos canalizar nossos esforços para o crescimento, gerando empregos, aumentando as rendas públicas, fazendo com que os salários fiquem melhores. É esse o objetivo do governo", observou. "O ajuste fiscal já foi consolidado; tem que ser agora praticado. Há um setor do governo que deve cuidar da defesa da moeda. Há outro que deve cuidar do desenvolvimento" destacou o ministro, para quem estabilizar a moeda é importante mas não o objetivo final. "O objetivo final é desenvolver o País, é melhorar a questão das regiões metropolitanas, gerar empregos, melhorar salários, cuidar da educação e da saúde. É isso que temos que fazer. É isso que o governo vai fazer", garantiu.
O ministro das Comunicações disse também que o salário mínimo deverá contemplar o INPC acumulado no período de maio do ano passado a abril deste ano. "Isso precisa ser consolidado no salário mínimo", afirmou Pimenta, acrescentando que o índice de reajuste ainda não foi fechado.

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