Agência Estado
De Brasília
O pedido de quebra de sigilo bancário de 21 laboratórios será colocado em votação na CPI dos Medicamentos na próxima quarta-feira. As indústrias são as que supostamente se reuniram para acertar uma estratégia contra os genéricos (remédios iguais aos de marca, com preços menores). Os integrantes da comissão estão divididos quanto à proposta. A comissão já havia decidido quebrar o sigilo fiscal das empresas, mas havia divergências quanto à necessidade de ampliação das investigações .
O relator da CPI, deputado Ney Lopes, continuava ontem contra a quebra do sigilo bancário antes que a análise de dados fiscais mostrasse indícios de irregularidade. O presidente da comissão, deputado Nelson Marchezan (PSDB-RS) também apela para a ‘‘cautela’’. Mas parlamentares da oposição e até da base do governo insistiam na necessidade da quebra do sigilo bancário. O pedido de quebra de sigilo bancário foi apresentado em janeiro.
Ontem Marchezan anunciou que vai processar o presidente do Conselho Regional de Farmácia do Distrito Federal, Antônio Barbosa, que pediu a investigação do presidente da comissão. Barbosa alegou ter recebido um documento da CPI pedindo informações sobre a elaboração de um dicionário de medicamentos genéricos e similares. ‘‘Os trechos são parecidos com os que constam em processos da indústrias farmacêutica para tentar tirar o dicionário de circulação’’, acusou Barbosa. Marchezan explicou que o pedido não era de sua autoria, e que havia sido aprovado por toda a comissão.
Na próxima semana, a CPI fará acareação entre Rubem Rochini, diretor comercial do laboratório Janssen Cilag, Ney Pauletto Júnior, gerente de produção médica do mesmo laboratório, e Nilson Ribeiro da Silva, ex-empregado da empresa. Ouvirá ainda o ex-ministro da Saúde e deputado estadual do Rio de Janeiro, Jamil Haddad, que tentou, sem sucesso, estabelecer a política de genéricos no País.

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