CPI volta do Maranhão sem ouvir todos os depoimentos
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quarta-feira, 27 de outubro de 1999
Por Fausto Macedo (enviado especial) 
São Luís, 28 (AE) - A CPI do Narcotráfico retornou hoje a Brasília sem cumprir a agenda programada. Não houve tempo para tomar todos os depoimentos de testemunhas e acusados. O relator Moroni Torgan (PFL-CE) esperava pôr na prisão dois deputados estaduais, quatro delegados, oito PMs e três prefeitos. Mas o saldo foi diferente: dois delegados (Luís Moura e Almir Macedo), um ex-deputado (Hemetério Weba, do PFL), e um prefeito (Avenir Pacheco Andrade, do município de Amapá do Maranhão) estão na cadeia. Na terça-feira, a CPI chegou a anunciar a prisão do prefeito de Vitorino Freire, Juscelino Rezende (PSD), o que não aconteceu.
O deputado estadual Francisco Caíca (PSD), apontado como um dos principais dirigentes do crime organizado no Maranhão - com ramificações em outros 13 Estados e na Bolívia -, chorou e fez um apelo, hoje, na Assembléia Legislativa do Estado: "Só quero viver mais um pouco." Caíca disse que está "impedido" de falar desde 1994, mas se dispôs a depor secretamente na CPI que apura a ligação dele, de outros parlamentares, policiais e fazendeiros com uma sucessão de assassinatos, roubos de carretas e contrabando de drogas.
Poucas horas antes do desabafo de Caíca, a CPI do Narcotráfico decretou seu indiciamento em cinco tipos diferentes de delitos: receptação de cargas roubadas, formação de quadrilha
homicídio qualificado, associação para tráfico internacional de entorpecentes e falsidade ideológica. A CPI apurou na Receita Federal que o parlamentar - exercendo segundo mandato - possui três CPFs.
Ele é acusado de ter participado do plano de assassinato do delegado Stênio Mendonça, em maio de 1997. O policial investigava as atividades da organização. Sobre os múltiplos cadastros fiscais, ele explicou assim: "Perdi um CPF, fiz outro
perdi esse outro também e pedi mais um; depois, encontrei o primeiro CPF original e mandei cancelar os demais." O deputado José Gerardo de Abreu (PPB) também foi enquadrado pela CPI, que o acusa de ser o mandante da execução de Mendonça e de comandar as quadrilhas que agem no Estado.
A CPI decidiu pedir à Corregedoria-Geral da Justiça que demita o juiz Luís de França Belchior, supeito de ligação com o grupo. Em junho de 1997 - um mês após a execução do delegado -, ele concedeu habeas-corpus em favor do assaltante Joaquim Felipe Neto, o Laurixto, acusado de ser um dos articuladores da morte do delegado. Ele está foragido.


