Rio, 06 (AE) - A CPI do Narcotráfico conseguiu encontrar uma suposta ligação entre a quadrilha de Luiz Fernado da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e a do americano John Michael White, que usava aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para transportar drogas para a Europa. O elo de ligação seria o policial civil Adilson Nunes, o China, que está foragido. China é um dos integrantes do grupo de White e teve uma ligação telefônica grampeada pela Justiça, na qual aparece conversando com uma pessoa que teria ligações com Beira-Mar. O nome do suspeito não foi revelado. No diálogo, segundo a deputada Laura Carneiro (PFL-RJ), subrelatora da CPI, o policial encomenda drogas que viriam da Favela Beira-Mar, em Duque de Caxias (Baixada Fluminense) , comandanda pelo traficante.
"Não podemos falar mais nada porque são informações que estão sob sigilo judicial, mas não restam mais dúvidas de que as duas quadrilhas tinham interligações", afirmou a deputada. O grupo de White foi desmantelado depois que a Polícia Federal descobriu, no dia 18 de abril, duas malas com 33 quilos de cocaína, que estavam guardadas na bagagem do avião Hércules C-130, da FAB.
A aeronave havia feito escala em Recife e seguiria para Espanha, quando a droga foi inteceptada. Na época, a Aeronaútica denunciou à Justiça Militar o tenente-coronel Paulo Sérgio Pereira, que havia despachado as malas, o tenente-coronel da reserva Washington Vieira Silva e o major Luiz Gress. A CPI vai ouvir na quarta-feira (08) a libanesa Lyla Mirta Ibanez, que está presa.
Ele é acusada de ser a responsável pelo transporte da cocaína da Bolívia para o Brasil que, em seguida, era embarcada nos aviões da FAB.
Está programado ainda o depoimento do doleiro Khaled Nawaf Aragi, que seria responsável pela lavagem do dinheiro da quadrilha de Beira-Mar no Mato Grosso do Sul. Na quarta-feira, será a vez do amerino White e, na quinta-feira, oficiais envolvidos com a quadrilha da FAB. A idéia, segundo os deputados
é cruzar as informações e aprofundar a relação entre as duas quadrilhas.
Juíza - A comissão conseguiu provar, hoje, a ligação entre o comissário de menores Manoel Antônio da Silva e os irmãos Antônio Jorge Gonçalves dos Santos, o Toni, e Arnaldo Gonçalves dos Santos, acusados de controlar o tráfico em Niterói (Grande Rio). O comissário serviu como motorista da juíza aposentada Valdeci Lopes Pinheiro, quando ela trabalhava na Comarca de Miracema (noroeste do Estado). O Ministério Público investiga a suposta ligação entre Valdeci e o tráfico de drogas na região.
Hoje, a CPI ouviu Valdecira Gonçalves Santos, irmã de Toni e Arnaldo, que confirmou a ligação entre irmãos e Silva. Em seu depoimento, o comissário de menores, que está preso por porte ilegal de arma, disse apenas que conhecia Toni, mas negou saber da ligação dele e de seu irmão com o narcotráfico. Ele disse também desconhecer "o homem de Niterói" a quem se refere em uma conversa telefônica que manteve com a juíza, grampeada pela Justiça, e apresentada pelos deputados durante seu depoimento. Tudo indica, segundo Laura, que o "homem de Niterói" seria Toni.
"O que podemos comprovar é que Valdecira foi o tempo todo usada pelos irmãos e que Manoel tinha de fato ligações com os irmãos traficantes", disse Laura Carneiro. A deputada irritou-se com o advogado da testemunha, Carlos Guerreiro, que tentou intervir no depoimento, quando ela ameaçou contar o que sabia sobre o suposta quadrilha comandada por seus irmãos. Guerreiro alegou que Laura estava conduzindo o depoimento.

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