São Paulo, 05 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais decidiu, hoje à noite, solicitar a quebra de sigilo bancário do engenheiro Fernando Garcia Lepper, ex-supervisor de Uso e Ocupação do Solo da Regional da Penha; do ex-oficial de gabinete, Fernando Martins Capitão; do ex-fiscal, Clóvis Feitosa de Araújo; do ex-administrador regional, Paulo Tirolli; do engenheiro Osvaldo Morgado; do coronel Ivan Márcio Gitahy e do ex-funcionário, também da Penha, Eduardo Silveira de Araújo.
O depoimento de Lepper, que começou às 18h20, demorou pouco mais de duas horas. Ele afirmou, repetidas vezes, que nunca soube que havia esquemas de verbas ilícitas na regional. Negou, também, as acusações de que pressionava fiscais para que levassem a ele pelo menos R$ 2 mil, em propina, por semana. Em seu depoimento, o ex-fiscal Clóvis Feitosa, havia dito que ele estava envolvido na corrupção. "Acredito que o sr. Clóvis se viu aviltado por ter sido dispensado de suas funções em janeiro, e procurou vingança", disse.
Em relação a outras pessoas que também o citaram em seu depoimento, como a assessora Tânia de Paula, o engenheiro disse que "quando uma pessoa se vê com um problema e não quer assumir
prefere repassar". Ele disse, ainda, que considera Tânia uma pessoa "sem raciocínio, descontrolada e despreparada", e que só a encontrou raríssimas vezes. Lepper não soube explicar porque não procurou obter mais informações quando foi informado de que Feitosa tinha uma postura inadequada no trabalho.
Sobre o fato de ter o mesmo advogado de Capitão, ele disse que escolheu o profissional por indicação de um amigo do qual não se lembra o nome. O ex-supervisor admitiu que o ex-administrador regional, Paulo Tiroli, o teria orientado para que não fiscalizasse bancas de jornais e frutas, embora isso fosse de sua área de competência. Ele admitiu também que não tirava as faixas com o nome do vereador Vicente Viscome, mesmo que sua colocação fosse ilegal, por causa da "grande influência política dele no bairro".
"Mesmo que eu quisesse tirá-las, não tinha gente suficiente para isso". Afirmou ainda que ficou foragido da polícia, seguindo orientação de seu advogado, embora não tivesse nada a esconder. Letter informou que ganha R$ 4,5 mil por mês, e tem uma renda mensal de R$ 6 mil. Vive em um apartamento avaliado em R$ 550 mil, junto com a mulher e dois filhos. E tem ainda uma casa na praia de Guaecá, em São Sebastião, de cerca de R$ 120 mil. Ele disse que economizou para comprar o apartamento em que mora, comprando dólares e os guardando em casa.

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