Florianópolis, 18 (AE) - A Assembléia Legislativa instalou hoje uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apontar os responsáveis pelas irregularidades praticadas no Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), que levaram o Banco Central a determinar a federalização da instituição até o dia 31 de agosto. O Besc tem 5 mil funcionários e mais de 200 agências em todo o estado e, segundo dados do próprio BC, apresenta um rombo de R$ 819 milhões. "Vamos usar todos os meios para apurar as responsabilidades", declarou o presidente da Comissão, deputado Onofre Agostini (PFL).
A primeira medida da CPI, que tem um prazo de 90 dias para concluir os trabalhos, foi solicitar ao presidente do Besc, Victor Fontana, a cópia dos balanços e balancetes dos últimos 10 anos. Na próxima reunião, marcada para segunda-feira (23), os 8 deputados que integram a CPI vão elaborar um cronograma de trabalho e definir uma equipe de assessores e técnicos que irão auxiliar na análise dos documentos. "Nós não concordamos com os números que estão sendo divulgados pelo Banco Central", adiantou o relator da CPI, deputado Ronaldo Benedett (PMDB). Segundo ele, se houver necessidade, até mesmo os técnicos do BC serão chamados para depor na Comissão.
Além de duvidar dos números divulgados pelo Banco Central, os deputados também questionam a atitude do presidente do Besc, Victor Fontana, que decidiu divulgar dados sigilosos da instituição. Em sessão realizada na Assembléia no final de julho
Fontana declarou para os quase 40 deputados presentes que em janeiro de 99 o Besc detinha um patrimônio líquido de R$ 800 milhões e, em menos de seis meses, o mesmo patrimônio teria se reduzido para R$ 80 milhões. "Ele denegriu com a imagem do banco. No mínimo ele faltou com a ética", disse Benedett. Para o presidente da CPI, Onofre Agostini, Fontana deve ser a primeira pessoa a ser chamada para depor. "Talvez não fosse o momento, mas ele foi coerente e falou a verdade."

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