CPI vai investigar possível ligação de traficante com deputado
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terça-feira, 14 de dezembro de 1999
Por Gilse Guedes 
Brasília, 14 (AE) - A CPI do Narcotráfico vai investigar a suspeita de ligação do traficante Walter Gomes de Carvalho Filho
o Valtinho, preso no último fim de semana no Rio, com o deputado Wanderley Martins (PDT-RJ). O relator da CPI, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), disse hoje que, a pedido de Martins, a comissão vai ouvir Valtinho.
A maioria da comissão é contrária ao afastamento de Martins da CPI, como defende o deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ). "Não nos sentimos incomodados com essa situação, porque ele (Martins) tem prestado um grande serviço à CPI", reagiu o presidente da CPI, deputado Magno Malta (PTB-ES), às declarações de Biscaia.
O deputado do PT, ex-procurador-geral de Justiça no Rio, disse hoje que a presença de Wanderley Martins na CPI põe o trabalho da comissão "sob suspeita" pelo fato de o deputado do PDT ter sido filmado em 1997 ao lado de Valtinho durante um churrasco em comemoração à inauguração da nova sede da Associação dos Moradores do morro Boavista, em Niterói.
O fato ocorreu em 31 de maio de 1997, quando o deputado pedetista estava licenciado da função de delegado da Polícia Federal pelo fato de ser candidato a uma vaga na Câmara.
Numa operação do 12º Batalhão da Polícia Militar, foi apreendida uma fita de vídeo com imagens da festa em que Martins aparece ao lado do traficante. O caso motivou a abertura de um inquérito pelo Ministério Público Federal (MPF).
Biscaia requereu ao MPF cópia de três outros inquéritos sobre a suspeita de ligação de Martins com uma quadrilha de contrabando de armas. "Há três investigações nesse caso envolvendo o nome de Wanderley Martins: evasão fiscal, corrupção e contrabando de armas", disse o parlamentar do PT.
Segundo Biscaia, foi apreendida em 1995 uma agenda em poder da quadrilha de venda ilegal de armas em que consta uma relação de pessoas que teriam recebido propina. "Nela, aparece o nome do deputado, ao lado da data 14 de julho de 1992, o valor 10 milhões (em moeda da época) e o número da conta no Banco do Brasil".
"Por meio da quebra de sigilo bancário, foi confirmado o depósito favorecendo Wanderley Martins", disse Biscaia. Com base nessas informações, o petista vai defender o afastamento de Martins da comissão. "Os indícios são suficientes para se concluir que a atuação do deputado é incompatível com os trabalhos da comissão". A saída do pedetista da CPI, no entanto
somente pode ocorrer caso o próprio parlamentar ou seu partido oficialize o pedido.
Questionado sobre o pedido de afastamento de Martins da CPI, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), disse hoje, depois de almoçar com todos os integrantes da comissão, que cabe ao parlamentares a análise do caso. "A presidência da Câmara não pode se envolver nisso", declarou Temer. "Mas não vi nenhuma situação desconfortável entre os integrantes da CPI", completou. Depois do almoço, Temer anunciou que a Câmara vai fornecer mais quatro computadores e cinco técnicos para a comissão.


