A quadrilha que tentou embarcar 32,9 quilos de cocaína em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), no mês passado, tem ramificações em países produtores da droga, como Colômbia e Bolívia, e nos países europeus onde é feita grande parte da distribuição, entre os quais Itália, Espanha e Holanda. O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, deputado Morone Torgan (PSDB-CE), disse ontem que se trata de ‘‘uma das maiores quadrilhas’’ de tráfico de drogas já identificadas no País e que o número de envolvidos é ‘‘bem maior do que se imagina’’.
A CPI recebeu ontem cópia do Inquérito Policial Militar da Aeronáutica, que na avaliação de alguns deputados teria investigado o fato de forma ‘‘isolada’’, ou seja, não contextualizando que se trata de uma quadrilha internacional. A CPI do Narcotráfico já tem informações sobre o envolvimento de pelo menos mais três militares da reserva da Aeronáutica com tráfico de drogas na Amazônia.
Quadrilha A CPI do Narcotráfico ouviu o americano John Michael White, que já completou três prisões por tráfico de drogas no Brasil e é suspeito de participação no caso da FAB. ‘‘Eu não sou santo’’, disse Michael ao iniciar seu depoimento à CPI. O americano foi preso em 1981 ao receber seis quilos de cocaína no Aeroporto do Rio. Foi deportado e mesmo assim retornou ao Brasil, em 1997, utilizando-se de uma carteira de identidade e de habilitação em nome de Jorge Nogueira. O americano se recusou várias vezes a responder se conhecia Nogueira, já que na identidade e na carteira de motorista estavam estampadas suas fotografias.
Há um ano, Michael White foi preso novamente, em São Leopoldo (RS), quando explodiu um laboratório de crack. Na época, a polícia encontrou mais de 3 mil pedras de crack que pertenceriam a ele. Michael disse que conseguiu sair da prisão com um habeas-corpus e admitiu que estava foragido da Justiça ao ser preso por envolvimento no caso da FAB. O americano disse não conhecer muitas das pessoas envolvidas na quadrilha que tentou enviar a droga. Ele negou ainda conhecer o tenente-coronel Paulo Sérgio Oliveira, que embarcou as duas malas no avião, e o coronel da reserva Washington da Silva, que seria o dono das malas.
A Polícia Federal, no entanto, tem provas de que Michael fez contatos no bip com outras pessoas da quadrilha, inclusive Paulo Sérgio e Washington. Existe ainda uma fotografia em que Michael está ao lado de Washington. White disse que é amigo do policial civil Adilson Nunes, o Gina, que entrou com as duas malas na Base Aérea do Recife.
Contradição White deu várias informações contraditórias à CPI do Narcotráfico, entre elas a de que não sabia a quem pertencia o veículo BMW que utilizava no Rio. O carro foi comprado pela sogra de White, a aposentada Maria Angélica Soares, que terá os sigilos bancário, fiscal e telefônico quebrados pela CPI.

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