CPI vai investigar envolvimento de autoridades com o tráfico
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terça-feira, 02 de novembro de 1999
Por Gilse Guedes e Sônia Cristina Silva 
Brasília, 03 (AE) - O relator da CPI do Narcotráfico, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), disse hoje que a comissão vai investigar denúncias de envolvimento de autoridades do Rio com o tráfico de drogas. Ele afirmou ter uma lista de "suspeitos" que comandariam o comércio ilegal de drogas.
Para Torgan, a CPI vai concentrar-se em identificar as pessoas que "financiam" o tráfico no Rio e em outros Estados. A CPI pretende ouvir o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, um dos maiores fornecedores de drogas do Rio, procurado da Justiça. Costa poderá revelar dados sobre a atuação da máfia do narcotráfico no Estado. "Se ele estiver disposto a dizer quem está acima dele, nós estaremos abertos para ouvi-lo e dar, em troca, proteção com base na legislação de proteção a testemunhas", esclareceu o relator.
O deputado recebeu há cerca de um mês dois recados, por meio de advogados, de que o traficante estaria interessado em apresentar-se à CPI. "Ele não tem muita escolha, porque, para o tráfico de drogas, ele é um arquivo vivo que deve ser apagado", disse o deputado. "Portanto, é melhor que ele seja um arquivo público."
Torgan lembrou que o sucesso da Operação Mãos Limpas na Itália, que desmontou o esquema da máfia italiana, deveu-se ao fato de as pessoas ligadas ao crime naquele país terem feito denúncias. Ele afirmou que as Polícias Civil e Militar devem encaminhar à comissão um relatório mais detalhado sobre o esquema do tráfico de drogas no Estado.
Há cerca de dois meses, a secretaria de Segurança Pública do Rio encaminhou à CPI documentação com a relação de traficantes, entre os quais Fernandinho Beira-Mar, que atuam no Estado do Rio. Torgan avalia, no entanto, ser necessário que as polícias fluminenses repassem à CPI uma relação dos que "financiam" o comércio de drogas e não se limitem aos nomes dos traficantes. "Não estamos interessados em pegar os traficantes das favelas."
"Eu espero que as autoridades no Rio também se aprofundem nas investigações de forma que seja possível uma parceria do Ministério Público, Executivo e Judiciário", disse o relator. Ele lembrou que a comissão quebrou pelo menos 150 sigilos bancários, fiscal e telefônico.
Amanhã (04), o deputado estadual do Maranhão José Gerardo, apontado como comandante do grupo de roubo de cargas e tráfico de drogas no Maranhão, vai prestar depoimento à CPI.


