CPI vai insistir na quebra do sigilo das contas de ex-assessora de ministro
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quarta-feira, 22 de dezembro de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 22 (AE) - A CPI do Narcotráfico vai insistir na quebra do sigilo fiscal, telefônico e bancário da advogada Solange Antunes Resende, ex-assessora especial do ministro da Defesa, Élcio álvares. Solange conseguiu liminar do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendendo a abertura de seus dados pessoais, sob o argumento de que a CPI não havia fundamentado seu pedido. "Já temos elementos e, logo que a comissão voltar às atividades, vamos reiterar o pedido, com fundamentação", adiantou o sub-relator da comissão, deputado Antônio Carlos Biscaia. (PT-RJ).
O deputado disse estar analisando documentos e informações que obteve do Ministério Público Federal do Espírito Santo. "Não quero me antecipar, mas tenho a convicção pessoal de que a quebra de sigilo de Solange vai revelar muita coisa interessante", disse Biscaia, enigmático. "É importante não só conferir os relacionamentos telefônicos da advogada, mas também sua movimentação bancária, para ver se seus vencimentos estão acima do que caberia a uma advogada e assessora", continuou o parlamentar. O deputado não quis, no entanto, adiantar o teor da documentação que alega possuir.
A CPI retoma suas atividades em fevereiro e Biscaia acredita que a comissão poderá apresentar justificativas para serem examinadas pelos ministros do STF. O pedido de quebra do sigilo de Solange e do irmão dela, Dório Antunes, foi aprovado no dia 16, em sessão da CPI do Narcotráfico. O deputado Biscaia havia apresentado requerimento, solicitando a abertura de dados bancários, fiscais e telefônicos de 39 pessoas do Espírito Santo
sob suspeita de envolvimento com o crime organizado, mas Solange não estava na lista. "Não inclui a Solange intencionalmente, porque pretendia elaborar uma fundamentação maior", contou Biscaia.
Mas o deputado Ricardo Noronha (PMDB-DF), também integrante do grupo que investiga o Estado, apresentou, em seguida, outro requerimento, em separado, pedindo a quebra dos sigilos da advogada. "Eu cheguei a advertir, naquele dia, que se eles (Solange e Dório) fossem ao Supremo obteriam liminar impedindo a quebra de sigilo", afirmou Biscaia.


