Rio, 10 (AE) - A CPI do Narcotráfico decidiu prorrogar suas atividades no Rio de Janeiro e vai permanecer no Estado pelo menos até segunda-feira, quando segue novamente para Maricá, no litoral norte (a 55 km do Rio), onde serão ouvidas testemunhas que apontam a utilização do aeroporto da cidade como parte de uma rota internacional do tráfico de drogas e a suposta participação no esquema de oficiais da Força Aérea Brasileira (FAB).
Hoje, os deputados receberam do delegado Anestor Magalhães, titular da 82ªDP (Maricá), um dossiê sobre os assassinatos do tenente-coronel aviador reformado da FAB e então diretor da Escola de Pilotagem de Maricá, Paulo Roberto Machado, em 30 de abril, do italiano acusado de tráfico Franco Peliciota, em 26 de abril, e de Waldemir Nunes, gerente de um hotel de Franco, o Park Lane, em 22 de maio.
O dossiê aponta que no dia do assassinato do italiano, morto em seu hotel, um avião Bandeirante da FAB realizou exercício de treinamento "não autorizado oficialmente" no Aeroporto de Maricá , com o lançamento de 16 cargas de aproximadamente 50 quilos, posteriormente recolhidas por kombis que teriam a inscrição da Aeronáutica. Quatro dias depois, conta o delegado, o coronel Machado foi sequestrado na saída do aeroporto por homens que estavam em duas kombis semelhantes e morto a dois quilômetros de sua casa. De acordo com a polícia, os três foram mortos com a mesma munição (9mm), de uso exclusivo das Forças Armadas. Duas semanas antes, houve o escândalo do transporte de 33 quilos de cocaína no Hércules C-130, que saiu da Base Aérea do Galeão com destino à Espanha e foi interceptado no Recife. "Estamos apurando a ligação dessas mortes com o caso FAB, porque existem evidências dessa conexão", disse o deputado Paulo Baltazar (PSB-RJ). De acordo com o delegado Magalhães, que espera finalizar o inquérito até o fim do ano, os três eram vistos "com frequência" no hotel de Franco. "As mortes estão relacionadas e pode haver ligação com o narcotráfico." Ele disse que já oficiou a Aeronáutica sobre o caso e está aguardando uma resposta.
O Aeroporto de Maricá, com uma pista de 1.300 metros asfaltada, não possui qualquer tipo de controle, apenas o registro dos prefixos feito pelo administrador Valdir Pinto, funcionário da prefeitura. Durante a noite e nos finais de semana não há qualquer vigilância. "Existem muitas deficiências na fiscalização, não há revista das cargas, e, depois da morte do coronel Machado, o movimento aumentou muito", disse Pinto. "Para mim, todo vôo é suspeito." Para o delegado, a rota que utiliza o aeroporto inicia-se na Bolívia e passa por Ponta Porã (MS) e Atibaia (SP) antes de chegar a Maricá. "Um Boeing 737 pode pousar aqui tranquilamente", afirmou.

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