CPI tem resultado da quebra de sigilos de integrantes de quadrilha
Rio, 24 (AE) - Os deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara têm em mãos o resultado da quebra do sigilo fiscal, bancário e telefônico de pelo menos cinco integrantes da quadrilha de Luiz Fernando da Costa, o "Fernandinho Beira-Mar".
Entre eles, o da irmã do traficante Alessandra da Costa, acusada de lavagem de dinheiro e presa na sexta-feira (21), em João Pessoa. Ela será transferida amanhã (25) para o Rio, onde deverá prestar depoimento ainda esta semana.
Na avaliação dos integrantes da CPI, "Fernandinho Beira-Mar" está encurralado. "Acho que a prisão da Alessandra pode nos ajudar muito porque, com ela, chegamos aos bens de Beira-Mar", afirmou hoje a deputada Laura Carneiro (PFL-RJ), sub-relatora do Rio, lembrando que os parlamentares vêm se reunindo com representantes da Receita e Polícia Federal (PF) e do Banco Central (BC) para debater os pedidos de quebra de sigilo. No Acre, foram 48 pedidos e, no Espírito Santo, outros 37.
Alessandra era uma das sócias da fábrica de gelo Bipolar
na Favela Beira-Mar, onde a polícia suspeita que era lavado o dinheiro do tráfico. O outro sócio da fábrica era Celmo José Monteiro. Preso no dia 15, em Santa Cruz da Serra, ele prestou depoimento hoje à juíza Terezinha Avelar, da 1.ª Vara Criminal, de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Segundo o advogado dele, Claudenor Prazeres, o parceiro de Alessandra admitiu que foi sócio da fábrica e que era amigo de "Fernandinho Beira-Mar", mas negou que lavasse dinheiro para o tráfico.
"Celmo e Beira-Mar foram criados juntos, na favela, são amigos de infância", contou Prazeres. "Mas Celmo nunca recebeu nenhum agrado de Beira-Mar." O advogado contou que a fábrica era pobre e que Monteiro sequer tinha uma conta bancária. Segundo Prazeres, o cliente afastou-se da fábrica em 1996 porque ela estava à beira da falência e, desde então, vem trabalhando como socorrista de automóveis na Avenida Brasil.
Estava previsto para hoje também o depoimento de outro suspeito de integrar a quadrilha de "Fernandinho Beira-Mar": Hermênio Arantes da Cunha, taifeiro da reserva da Aeronáutica, acusado de lavar dinheiro para o traficante na padaria Dois Irmãos, na favela. Ele estava com prisão preventiva decretada desde outubro passado e se apresentou no dia 17 à juíza.
Terezinha informou hoje que o processo contra "Fernandinho Beira-Mar" está suspenso para evitar que o prazo de prescrição continue correndo. De acordo com o Artigo 366 do Código Penal, essa é a praxe para processos em que o réu está foragido e não é representado por um advogado. "A suspensão não impede diligências e mantém o mandado de prisão", explicou. "Fernandinho Beira-Mar", no entanto, não poderá ser julgado à revelia.





