CPI revela esquemas do tráfico e propõe mudanças na polícia
de modo a punir com mais eficiência os crimes cometidos por policiais. Foram essas as principais linhas e resultados, na avaliação do deputado Magno Malta, presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, que a comissão levantou por sua passagem em São Paulo, de segunda-feira até ontem (14), quando os trabalhos foram encerrados. "Nossa avaliação foi positiva", disse o presidente. Dos 50 depoimentos que eram previstos para o Estado, os deputados conseguiram realizar 37, em sessões abertas e fechadas
conforme números da assessoria da comissão. Cinco pessoas foram indiciadas e uma foi presa. As testemunhas ou acusados que não foram ouvidos, por falta de tempo ou por ausência, devem ser convocados para comparecer a Brasília, para os esclarecimentos. "Foram, principalmente, doleiros e empresários que não vieram. O fato demonstra que eles não querem se defender", afirmou o deputado Celso Russomano, sub-relator da comissão para São Paulo. Entre os que não vieram, de acordo com ele, está um empresário do interior do Estado, dono de uma empresa tocada por dois laranjas. "Um avião, pertencente a ele, caiu em São José dos Campos pouco depois do Carnaval, transportando R$ 600 mil em notas de pequeno valor. Provavelmente, era dinheiro da venda de drogas no período", disse o deputado. "Todos os nomes citados e cercados de contradições serão convocados para depoimentos." Para Malta, uma das principais sugestões apresentadas foi a levada ao governador Mário Covas (PSDB), de que os corregedores da polícia fiquem no cargo "para sempre". "Uma vez corregedor
sempre corregedor. Ocorre que, hoje em dia, o corregedor deixa o cargo e vai trabalhar com quem ele denunciou", afirmou Malta. "Ou seja, o sujeito deixa de fazer investigações porque tem medo de represálias. Vamos levar a sugestão a todo o País." O presidente da comissão também deve incluir no relatório final as sugestões para uma maior repressão ao roubo de veículos e cargas. "Um carro vale hoje quatro quilos de cocaína, uma carreta é trocada por 40 quilos. E as cargas preferidas são as de cigarros e remédios." Conexão - Um dos principais depoimentos, segundo os deputados, foi o prestado na terça-feira pela testemunha não identificada denominada de Sr.X. A testemunha revelou que existe um esquema de distribuição de drogas e armas que liga o Suriname até a cidade de Atibaia, no interior de São Paulo, de onde ocorre a distribuição para a capital, outras cidades do Estado e destinos internacionais. O esquema, nos anos de 97 e 98, teria a participação de um ex-comandante e oficiais da PM do Pará. A testemunha, que morou durante três anos num quartel da PM, disse aos deputados que viu carregamentos de cocaína sob a mesa do comandante da polícia. Também contou como aviões clandestinos transportavam a droga e sobre homicídios que teria presenciado dentro do quartel. Segundo Sr. X, as armas primeiramente seriam desviadas para a Colômbia. Lá, eram trocadas por drogas com grupos terroristas, incluindo a facção revolucionária Farc. As drogas seriam novamente remetidas ao Brasil, para então serem distribuídas para o restante do País
principalmente para a Região Sudeste e daí também para destinos internatcionais. A partir de terça-feira, a CPI se divide. Parte dos deputados vai ao Espírito Santo e parte a Goiás, onde mais depoimentos serão tomados. Neste último Estado, de acordo com a deputada Laura Carneiro, os esforços da comissão serão concentrados em estabelecer ligações do Poder Judiciário com o tráfico de drogas. Depois, os parlamentares seguem para Alagoas e Ceará. Os trabalhos públicos devem ser encerrados no dia 8. A partir daí, os deputados terão um mês para apresentar o relatório final
que deve sair em 8 de junho.Por Daniel Gonzales São Paulo, 15 (AE) - A conexão da máfia nigeriana na distribuição e receptação de drogas no Brasil, o esquema de tráfico de armas e drogas que liga o Suriname, país da América do Sul, ao interior de São Paulo - rota que também passa pela Colômbia - a fragilidade na fiscalização de mercadorias que ingressam no País pelo Porto de Santos e as sugestões para o fortalecimento da Corregedoria da Polícia no Estado de São Paulo





