São Luís, 02 (AE) - A CPI do Narcotráfico, que há três semanas investiga o envolvimento de deputados, prefeitos delegados, juízes e empresários com o roubo de carretas e tráfico de drogas no Maranhão, retoma os trabalhos amanhã com o depoimento do ex-secretário adjunto de Segurança Pública, João Ribeiro Silva Júnior. Coronel aposentado, Silva Júnior é acusado de ter facilitado, em 1984, a liberação do preso Rirmualdo da Silva, responsável pelo assassinato de Carlindo Sousa. Tanto Rirmualdo como Carlindo eram funcionários da empresa de ônibus São Luís, de propriedade do deputado estadual José Gerardo de Abreu (PPB), principal suspeito de comandar o crime organizado no Estado.
José Gerardo, que estava desaparecido desde a chegada em São Luís da CPI do Narcotráfico, voltou a negar hoje a sua participação em assassinatos, roubos de carretas e tráfico de drogas. "Sou inocente", afirmou o deputado maranhense. "Prefiro morrer a ter que ser preso", avisou. Em entrevista a uma emissora de TV local, Gerardo chegou a exibir um terço que carrega no bolso como "prova" de sua honestidade.
"Sou um homem cristão e não desejo mal ao meu semelhante". O deputado embarcou hoje à tarde para Brasília, onde presta depoimento na quinta-feira à CPI do Narcotráfico. A polícia já identificou até agora nove ônibus da empresa de José Gerardo com os chassis adulterados. A Gerência de Justiça e Segurança Pública encaminhou os veículos irregulares ao Comando Geral da Polícia Militar do Maranhão. O Instituto de Criminalística está fazendo cruzamento de informações com outros Estados para avaliar se os ônibus são roubados.
Depois de ouvir Silva Júnior, A CPI do Crime Organizado reiniciará a sessão com o deputado Francisco Caíca (PSD), cujo depoimento foi interrompido na semana passada porque o parlamentar apresentou problemas de saúde. Caíca é acusado de ser o braço direito de Gerardo em crimes de contravenção. A polícia maranhense já prendeu 23 pessoas suspeitas de envolvimento com o crime organizado e ainda tem mais 18 mandatos de prisão para cumprir. Entre os presos até agora, estão o ex-deputado estadual Hemetério Weba (sem partido), o prefeito Aveny Pacheco, de Amapá do Maranhão, e os delegados Luís Moura e Almir Macedo.

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