São Paulo, 06 (AE) - O relator da CPI do Narcotráfico, deputado federal Moroni Torgan (PFL-CE), afirmou hoje que os trabalhos da comissão prosseguirão normalmente nesta semana, até o recesso parlamentar, com início no dia 15. Isso significa que as investigações não serão interrompidas como foi anunciado na semana passada, diante da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de conceder a um advogado o direito de se manifestar durante os depoimentos de seu cliente, o que não foi aceito pela CPI.
A comissão havia resolvido não mais realizar audiências públicas até que o Supremo analisasse um recurso para justificar sua decisão, mas até agora isso não foi feito. "Com base nisso, decidiremos se vamos recorrer ou acatar a determinação", disse.
Torgan afirmou que, mesmo durante os dois meses de recesso parlamentar, previsto para terminar no dia 15 de fevereiro de 2000, as atividades internas da CPI do Narcotráfico continuarão, a partir da análise de documentos que não puderam ser estudados antes por falta de funcionários. O relator acredita que essa é uma boa forma de planejar a investigação final, antes do encerramento dos trabalhos da comissão, em maio. "A pausa tem de acontecer; nós não podemos ser atropelados pela investigação", declarou.
Apesar do término da CPI programado para maio, o deputado frisou ser impossível pôr fim ao crime organizado no Brasil em poucos meses. "Precisaremos de alguns anos; nós vamos apenas iniciar o trabalho e as instituições devem se organizar para dar continuidade", disse Moroni Torgan.
Nesta semana, as atividades da CPI incluem atuações em Belém
onde existe uma conexão com o crime organizado no Suriname, em Alagoas, a partir de denúncias sobre roubo de cargas e narcotráfico, em Minas Gerais, para apurar quadrilhas que agem em São Paulo e no Rio de Janeiro, além de investigações no Espírito Santo e no próprio Rio.
O relator da CPI do Narcotráfico não poupou críticas à liminar concedida pelo ministro do Supremo Celso de Mello. Torgan chegou a dizer que o Poder Judiciário estava "intervindo" no Legislativo. Ele alegou que o regimento interno da Câmara impede que um advogado interrompa o andamento de um depoimento em comissão ou uma sessão ordinária da Casa. O presidente da comissão, deputado Magno Malta (PTB-ES), ameaçou com o fim dos trabalhos da comissão, caso Celso de Mello não revisse o teor de sua decisão.
"Na hipótese de ser mantida (a liminar), a CPI não tem como funcionar porque não há maneira de pôr um advogado batendo boca com deputado", disse Malta na última quinta-feira, um dia depois de encontrar Celso de Mello ao lado de um grupo da CPI.

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