CPI redefine trabalhos para obter mais resultados
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quinta-feira, 02 de dezembro de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 02 (AE) - A CPI do Narcotráfico analisou, até agora, apenas 10% dos documentos que tem em seu poder. Por isso, segundo o presidente da CPI, deputado Magno Malta (PTB-ES), a partir de agora a comissão vai tentar disciplinar as investigações. Ao mesmo tempo em que ganhou reforço de mais 30 técnicos do Banco Central e da Receita Federal, que estão debruçados sobre os dados das quebras de sigilos telefônicos, bancários e fiscal de suspeitos, a CPI está sugerindo aos Estados e municípios a criação de conselhos para dar andamento às ações desenvolvidas pelos deputados.
"Com maior apoio teremos, a partir de agora, uma investigação mais célere", adiantou o relator da CPI, deputado Moroni Torgan (PSDB-CE). "Faltou muito apoio técnico, mas agora já está chegando." Segundo ele, até agora a CPI tinha o auxílio de apenas dois técnicos da Receita e BC. "Vieram dois técnicos da Receita, mas eles vão e voltam", explicou. A expectativa é de que pelo menos cinco técnicos da Receita e outros cinco do Banco Central prestem colaboração permanente à CPI, sem contar com pessoal do serviço de inteligência da Presidência da República e da Polícia Federal. "Ao todo, acho que teremos 30 pessoas colaborando", disse Moroni Torgan.
A estratégia envolve uma interrupção dos depoimentos na CPI durante o recesso parlamentar. "Essa parada estratégia do recesso vai permitir que a documentação, tanto a que falta chegar como a que já chegou, seja analisada para que a partir de fevereiro possamos evoluir nosso trabalho tecnicamente", explicou Torgan.
A documentação é constituída principalmente de quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico de vários suspeitos. "Isso é bom porque os técnicos não vão ter que se preocupar em municiar os deputados nos depoimentos e vão se preocupar só com a linha investigativa", argumentou Torgan.
Em relação à quebra de sigilo telefônico, é preciso fazer o cruzamento de milhares de ligações. Quanto ao fisco, a CPI não quer apenas a declaração de renda dos suspeitos, mas toda uma avaliação patrimonial deles. Com isto, a comissão pretende conseguir fazer a relação de pessoas com traficantes e com o crime organizado.
Direção - Magno Malta também não quer deixar que a CPI passe a "atirar para todos os lados", desvirtuando-se dos objetivos principais. "A CPI não se propõe a esgotar os assuntos; por isso em cada Estado planejamos estabelecer um conselho que, além de apoiar a CPI, dê continuidade aos trabalhos." Magno Malta reclama que a CPI tem sido pressionada.
"Temos uma série de troços para investigar e não tem tempo para tudo e não vamos sair de nossa linha mestra", afirmou. "Por isso mesmo estamos oficiando as assembléias e câmaras municipais para que instalem suas próprias CPIs", disse Malta. A CPI decidiu que as denúncias não relacionadas diretamente à "coluna vertebral" de investigações serão avaliadas por diligências, feitas por deputados.


