Brasília, 28 (AE) O Morgan Guarantee Trust, o Banco Votorantim, o Banco Cacique e Joseph Safra presidente do Banco Safra estiveram entre os principais compradores de contratos futuros de dólar na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) no dia 12 de janeiro, véspera da troca de comando do Banco Central (BC) e da mudança no regime cambial brasileiro, com a adoção da "banda diagonal endógena", que durou apenas dois dias. Os dados constam dos relatórios enviados hoje pela BM&F à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Financeiro. O fato de esses bancos terem comprado grandes quantidades de contratos futuros de dólar, porém, não significa que eles tenham cometido qualquer irregularidade nem é, por si só, indício de obtenção de informação privilegiada. Essa atuação no mercado, contudo, pode indicar uma forte expectativa de desvalorização do real a curto prazo, ou, no caso das instituições com dívidas em dólar, um grande temor dessa desvalorização, que justificou uma procura maior por hedge (proteção).
O Morgan Guarantee Trust Company of New York adquiriu, no dia 12, 7.725 contratos futuros de dólar. Joseph Safra adquiriu 6.700 contratos e o Banco Safra comprou mais 1.600. O Banco Votorantim, do grupo do mesmo nome, presidido pelo empresário Antonio Ermírio de Moraes, também foi um grande comprador: adquiriu, no dia 12, 6.680 contratos. O Banco Cacique adquiriu 5.800 contratos. Esses números foram calculados a partir do saldo das operações de compra de contratos futuros de compra de dólar com vencimento em fevereiro e março. Não foram incluídas opções de compra ou venda de dólares na BM&F.
Essas compras também não garantem que os investidores tiveram lucros exorbitantes. Para afirmar isso, seria necessário calcular preços de compra e venda dos contratos durante todo o mês de janeiro. Porém, o simples movimento de compra de contratos futuros, muitas vezes indicando uma brusca mudança de estratégia, mostra que o mercado, já na tarde do dia 12, acreditava que a estabilidade cambial brasileira estava com seus dias contados.
Atuação Alguns dos números encaminhados pela BM&F à CPI mostram que instituições pouco conhecidas do grande público tiveram uma atuação muito expressiva nesse mercado. O Banco Axial, por exemplo, adquiriu 3.000 contratos futuros de dólar, superando de longe instituições muito mais conhecidas, como o Citibank que comprou 800 contratos e o banco Bozano, Simonsen, que adquiriu 850.
Entre os administradores de fundos nacionais, uma das atuações mais evidentes no dia 12 é da Pictet Modal Asset Management, empresa de administração de recursos vinculada ao Banco Modal. Três fundos administrados pela instituição o Modal FIF Advanced Agressive, o Modal Renda Fixa Capital Externo e o Modal Fundo de Renda Fixa adquiriram, em conjunto, 4.250 contratos. No dia 12, esses fundos ficaram apenas na ponta compradora do mercado, não tendo registrado nenhuma venda. O Banco Modal, por si, teve uma atuação bem mais discreta: adquiriu 400 contratos.
Os números da BM&F indicam que o Banco do Brasil assumiu a liderança absoluta e incontestável na venda desses contratos. No dia 12, o Banco do Brasil Banco de Investimentos vendeu 79.220 contratos futuros de dólar. A BB DTVM, corretora do Banco do Brasil, não atuou nos dias 12 e 13, mas, no dia 14, vendeu 20.550 contratos no pregão da BM&F. Os bancos Matrix e Unibanco também estavam vendidos na véspera da mudança da política cambial brasileira. O Matrix tinha vendido 2.600 contratos de dólar futuro e o Unibanco outros 2.285.

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