Brasília, 02 (AE) - A CPI do Judiciário vai investigar os motivos de o empresário Fábio Monteiro de Barros Filho ter omitido em seu depoimento a informação sobre a transferência para Brasília da sede da construtora Ikal. A comissão só tomou conhecimento da mudança há cerca de uma semana, quando seus técnicos vistoriaram os documentos relacionados à empresa na Junta Comercial de São Paulo. A Ikal, antes conhecida por Incal, do grupo Monteiro de Barros, é acusada pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas da União (TCU) de ter desviado R$169 milhões dos R$223 milhões destinados às obras do fórum trabalhista do São Paulo.
A construtora é hoje alvo de uma ação por abandono do imóvel e despejo por falta de pagamento que tramita no Tribunal de Justiça do Distrito Federal desde março. A "sede" da empresa - na verdade apenas uma sala - permanece fechada, aguardando a decisão da Justiça, depois de funcionar no Setor de Diversões Sul, próximo à rodoviária. Ali também estão instalados o Cine Ritz, com shows diários de strip-tease e de sexo ao vivo no palco, três igrejas evangélicas, bares, restaurantes, livrarias e lojas. O dono do imóvel, empresário Abdala Carim Nabut, é o secretário de Transportes do governador Joaquim Roriz (PMDB).
Os vizinhos contam que até outubro do ano passado - coincidentemente quando foi suspenso o repasse de recursos para as obras do fórum - a Ikal recebia regularmente a visita de Fábio Monteiro de Barros. No final do ano, os cerca de 10 empregados começaram a ser demitidos sem receber os direitos trabalhistas. A porta foi fechada e ninguém apareceu para dar explicação sobre a suspensão do aluguel ou sobre a permanência no local de móveis e outros bens pertencentes à empresa.
A advogada Elza Cristina de Barros informou que entrou com a ação de despejo e de verificação de abandono da mesma forma como teria feito com qualquer outro imóvel do grupo Carim. Ela disse desconhecer que ali funcionava a construtora encarregada das obras do fórum trabalhista de São Paulo. Segundo ela, o oficial de Justiça não conseguiu localizar nenhum dos responsáveis pelo aluguel para entregar o mandado do juiz. A última citação judicial constata o estado de abandono da sala, mas não conseguiu cobrar os aluguéis atrasados, de valor inicial de R$ 5.652,00.
O senador Luiz Estevão (PMDB-DF), que tinha uma procuração para movimentar as contas da Incal nas quais eram depositados recursos para as obras do fórum, disse que não sabia da transferência da construtora para Brasília. "Soube que eles tinham alguma coisa aqui em Brasília", afirmou. "Mas eu nunca estive na sede da Ikal". Estevão disse ter estado "duas ou três vezes", durante a campanha eleitoral, nas proximidades da galeria onde funcionava a empresa porque ali havia um comitê de apoio ao então candidato Joaquim Roriz, que teria sido aberto por iniciatica do empresário Carim Nabut.

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