CPI quer ouvir Cacciola no feriado de Tiradentes
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de abril de 1999
Por Claudia Carneiro 
Brasília, 16 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que apura irregularidades no Sistema Financeiro quer convocar o banqueiro Salvatore Cacciola, dono do Banco Marka, para prestar depoimento na quarta-feira (21), feriado de Tiradentes. O relator da CPI, senador João Alberto (PMDB-MA), está aguardando a chegada de Cacciola ao Brasil na segunda-feira (19), quando está intimado a prestar depoimento à Polícia Federal, e deverá acertar depoimento à comissão no Senado.
Segundo o relator João Alberto, que esteve hoje com o ministro da Justiça, Renan Calheiros, e os demais integrantes da CPI, o dono do Banco Marka, que está na Itália, confirmou que virá ao Brasil para depor à PF nesta segunda-feira, mas não fez nenhum contato com a CPI. "Vamos fazer contato com Cacciola para vir depor no feriado de quarta-feira", afirmou o relator, que também quer estar presente no depoimento de Cacciola à Polícia Federal no Rio de Janeiro, marcado para as 10h.
A CPI dos Bancos acertou hoje com o ministro da Justiça, Renan Calheiros, com quem reuniu-se pela manhã, providências para oferecer garantia de vida e segurança a Salvatore Cacciola. A sugestão foi feita na quinta-feira pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS).
"Espero que ele (Cacciola) realmente compareça para depor na segunda-feira, porque, se não comparecer, entenderemos sua atitude como uma recusa a colaborar com o esclarecimento dos fatos", disse Calheiros.
O ministro pretende recorrer a todos os meios legais para garantir a presença do banqueiro na PF, inclusive solicitar a extradição de Salvatore Cacciola ao governo italiano.
O dono do Banco Marka terá de esclarecer à CPI por que investiu na bolsa de mercadorias 20 vezes o valor de seu patrimônio e se ele é o beneficiário final dos US$ 17 milhões remetidos ao Marka Bank, no paraíso fiscal de Bahamas. No encontro com os senadores, o ministro Calheiros acertou outra providência para facilitar o trabalho da CPI na apuração dos fatos: a requisição dos documentos apreendidos pelo Ministério Público no Rio de Janeiro, pertencentes aos Bancos Marka e FonteCindam.


