Brasília, 10 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Financeiro no Senado deverá requerer ao Banco Central (BC) os documentos sobre a operação com títulos da dívida externa brasileira - os chamados "bradies" - realizada pelo Banco Bamerindus um dia depois da intervenção. A aquisição dos títulos, num valor superior a R$ 800 milhões, teria o objetivo de oferecê-los como garantia ao grupo inglês HSCB, que comprou o banco.
"A primeira providência da CPI tem de ser a requisição de toda essa documentação, sua base legal e a justificativa de como ela foi feita", cobrou o presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA).
No depoimento à CPI ontem (09) à noite, o ex-dono do Bamerindus e ex-senador José Eduardo Andrade Vieira levantou suspeitas sobre a operação. Ele disse aos senadores que a compra dos títulos pelo Bamerindus ocorreu um dia depois da intervenção do BC na instituição e que os títulos teriam sido vendidos pelo próprio HSBC.
"Não sabíamos dessa operação", afirmou Barbalho. Segundo ele, a análise do material a ser requerido ao BC vai definir se a CPI vai reconvocar o diretor de Fiscalização do BC, Luiz Carlos Alvarez, que foi o primeiro interventor do Bamerindus.
Apesar de algumas novidades reveladas, o depoimento de Vieira, na maior parte, frustrou a expectativa dos senadores. "Ele podia ter trazido mais informações sobre detalhes operacionais e as tentativas para salvaguardar o Bamerindus", cobrou o senador Eduardo Suplicy (PT-SP). "O fato de Andrade Vieira ter colocado-se como prejudicado ajudou a imagem do governo", avaliou Barbalho. "Até que o presidente Fernando Henrique conseguiu nesse caso não criar uma situação na qual ele ficaria muito atrapalhado; desta vez ele escapou", completou Suplicy.
Para o relator da CPI, João Alberto Sousa (PMDB-MA), o depoimento de Vieira foi um fiasco, conclusão que levou o relator a questionar se é realmente necessária a convocação de outros banqueiros beneficiados pelo Proer. "Vou reestudar a convocação de outros donos de bancos", disse ele, que também desistiu, mais uma vez, de apresentar o relatório preliminar sobre a ajuda financeira do BC aos Bancos Marka e FonteCindam, prometido para hoje. Barblaho reagiu: "A avaliação de ouvir os outros banqueiros tem de ser colegiada."
Suplicy pediu hoje a Sousa o calendário de todos os depoimentos até o fim de agosto, com nomes, além das prioridades da CPI. Suplicy pediu que sejam incluídos os nomes dos ex-presidentes do BC Gustavo Loyola, Gustavo Franco e Francisco Lopes e do ministro da Fazenda, Pedro Malan. Para o senador, se a CPI ouvir os representantes dos Bancos Nacional, Unibanco, Econômico, Excel e Bilbao Viscaia (BBV), terá o depoimento das cinco maiores instituições que participaram do programa oficial de socorro ao mercado financeiro.

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