CPI quebra sigilo de assessora de ministro da Defesa
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quarta-feira, 15 de dezembro de 1999
Por Gilse Guedes, Sônia Cristina Silva e Hugo Marques 
Brasília, 15 (AE) - A CPI do Narcotráfico aprovou hoje a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico da advogada Solange Antunes Rezende - ex-sócia no escritório e atual assessora do ministro da Defesa, Élcio álvares - e de seu irmão Dório Antunes. Segundo os parlamentares da CPI, os dois advogados trabalharam com escritório de advocacia de álvares no período que conseguiram a libertação de várias pessoas ligadas ao crime organizado no Espírito Santo.
"Eles estão entre os advogados que atuaram na defesa de diversas pessoas ligadas ao esquema do crime organizado no Espírito Santo, por isso é necessário investigar", disse o deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), que integrou a subcomissão da CPI que viajou ao Estado na semana passada. Biscaia disse que entre as várias casos em que o escritório atuou está o atual prefeito de Cariacica (ES), o Dejair Camata, o Cabo Camata, que teria sido detido por transporte de armas ilegais, segundo a CPI.
Os parlamentares preferem não levantar nenhuma suspeita sobre a atuação do ministro Élcio álvares. Perguntado se o sigilo do ministro também poderá ser quebrado, o relator da CPI do Narcotráfico, Moroni Torgan (PFL-CE), disse que tudo "está sendo feito de forma gradual." O ministro estava, até o início da noite, reunido com assessores e não pôde atender a imprensa.
"Vamos dar um passo de cada vez", disse Torgan, que é do mesmo partido do ministro álvares. Torgan afirmou que a quebra de sigilo dos advogados poderá mostrar as reais ligações dos profissionais com o crime organizado no Estado. "Vamos verificar se há receitas sem explicações e sem origem." O deputado Ricardo Noronha disse que a justificativa para a quebra de sigilo de Solange e Dório "é lavagem de dinheiro e ligação com o crime organizado". Procurada hoje para falar sobre o assunto, Solange Rezende disse que não iria fazer nenhum comentário.
A CPI pretende cruzar todas as informações para checar se os dois advogados tinham função exclusiva de defender clientes ou se teriam alguma participação em um suposto esquema esquema político para libertar pessoas ligadas ao crime organizado e participação em lavagem de dinheiro.
Segundo o deputado Biscaia, Solange era sócia do ministro no escritório, enquanto que Dório, seu irmão, trabalhava no escritório mas não tinha vínculo empresarial. Segundo as informações colhidas pela CPI no Espírito Santo, Dório ainda estaria trabalhando no escritório e Solange teria se desligado da sociedade quanto começou a trabalhar com o ministro em Brasília.


