CPI quebra sigilo bancário de laboratórios
MEDICAMENTOS CPI quebra sigilo bancário de laboratórios Por decisão unânime dos membros da comissão de inquérito, acusados de formar cartel para boicotar genéricos terão contas devassadas Edinelson Alves Especial para a Folha De Brasília Os membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Medicamentos aprovaram ontem, por unanimidade, a quebra do sigilo bancário de 21 laboratórios, acusados de formação de cartel para boicote aos genéricos. Numa decisão anterior, no mês passado, a CPI já havia deliberado sobre a quebra do sigilo fiscal destas mesmas empresas. Caso seja necessário, o próximo passo será a quebra do sigilo telefônico. O presidente da comissão, deputado Nelson Marchezan (PSDB-RS) pediu também ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), a prorrogação dos trabalhos por mais 60 dias a partir de 16 de março. A comissão ainda não conseguiu provas de eventuais abusos cometidos pela indústria e não dispõe de apoio técnico suficiente para realizar o cruzamento de dados fiscais e bancários. Com a quebra do sigilo, o deputado Márcio Matos (PT-PR) acredita que será possível fazer uma devassa nas contas dos laboratórios, e, principalmente, fazer o cruzamento de informações e valores para se descobrir como essas empresas vêm agindo para manter o controle no mercado de medicamentos do País. As informações sobre o sigilo fiscal dos laboratórios já estão em poder do relator-geral da CPI, deputado Ney Lopes (PFL-RN). Matos afirmou ainda que o depoimento de terça-feira à CPI do secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, foi fundamental para a aprovação ontem da quebra de sigilo bancário dos laboratórios. A discussão sobre a quebra do sigilo bancário vinha dividindo os membros da CPI. Quando o assunto foi colocado em votação, há duas semanas, o racha tornou-se público. A votação foi suspensa e as declarações deixaram claro que não havia sintonia entre os dois blocos. Deputados de oposição argumentavam que, sem a quebra do sigilo, a comissão não teria como concluir as investigações e isso vinha provocando um reflexo negativo junto à sociedade. Parlamentares do bloco governista, principalmente o relator Ney Lopes, resistia a todo custo à quebra de sigilo, alegando que não havia necessidade e que essa era uma atitude temerária. Mas o depoimento do secretário da Receita foi contundente e os contrários à quebra de sigilo não tiveram como segurar o curso das investigações. Everardo Maciel afirmou que a quebra do sigilo era indispensável para que se fosse mais fundo na devassa das contas dos laboratórios. Uma informação que fortaleceu a CPI foi que, dos 38 maiores contribuintes da indústria farmacêutica, 37 já estão sendo investigados pela Receita Federal. E mais: desse total, 27 são investigados por irregularidades. Só nos últimos quatro anos essas empresas pagaram R$ 180 milhões por infrações, sendo 46% dos autos referentes ao ano passado. Sobre os lucros, o secretário afirmou que os laboratórios alcançam uma margem média de 45%, contra 33% das cervejarias e 23,5% dos fabricantes de cigarros.





