Belém, 09 (AE) - A CPI do Narcotráfico pode ter chegado ao principal líder da "conexão caipira" do tráfico de drogas, que atua em Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Campinas. Um depoimento secreto feito pelo traficante Ahmad Hassan Assad à CPI, na madrugada de quarta-feira, em Belém, incriminou um empresário como sendo o responsável pelo narcotráfico no interior paulista. Ele será convocado para depor na comissão, provavelmente na próxima semana.
Assad foi preso no dia 14 de setembro do ano passado, quando tentava embarcar 141 quilos de cocaína em Buriticupu, no interior do Maranhão. A droga seria jogada de avião na costa da áfrica. Para isso, o grupo era integrado pelo pára-quedista Paulo Roberto Pinto da Silva e pelo piloto Cláudio Veloso, que iriam saltar depois de lançarem a droga ao mar, abandonando o avião. Segundo a Polícia Federal, a droga foi comprada por US$ 230 mil em Barracominas, na Colômbia, e foi transportada até o Maranhão pelo empresário Leonardo Mendonça.
Ahmad Assad contou que o primeiro contato feito com o empresário aconteceu em São Paulo, há alguns anos, quando tentava comprar produtos para um frigorífico que montara em Manaus com um irmão, também de origem libanesa. Alguns meses depois, o empresário o teria procurado em Tabatinga, na fronteira com Letícia, na Colômbia, para que intermediasse um contato com traficantes. Assad disse que o frigorífico faliu e ele foi convidado pelo empresário para ir a Ribeirão Preto, onde ficou três dias.
Em seguida, segundo contou, foi enviado pelo empresário a Belém, de onde viajou para Buriticupu com uma pessoa identificada apenas por Jorge, que conseguiu fugir quando a Polícia Federal fez as prisões. "Em Ribeirão Preto, ele disse que ia colocar um avião em meu nome, mas eu não aceitei", afirmou Assad. O avião, segundo avaliação da PF, pode ser um Navajo onde foram encontrados os 141 quilos de cocaína. A aeronave estava adaptada para ter uma autonomia de 14 horas de vôo, tempo suficiente para alcançar Cabo Verde, na costa africana, onde a droga seria lançada ao mar.
A ligação entre a "conexão caipira", que abrange diversas cidades do interior paulista, e o empresário Leonardo Mendonça é indireta. A PF acredita que Mendonça apenas servia como transportador de droga, tirando a cocaína da Colômbia e enviando para o local indicado no Brasil pelos traficantes. Para alguns deputados da CPI, a partir das informações de Assad, é possível avaliar que o grupo do interior de São Paulo não mais estava abastecendo o mercado interno, mas também exportando.
Depoimento - No depoimento prestado hoje à CPI, o empresário Leonardo Mendonça confessou que é sonegador de impostos, apesar de ter dezenas de bens e movimentar, apenas em três de suas fazendas, cerca de R$ 700 mil mensais. Além disso, confirmou usar uma conta bancária de um "laranja".

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