CPI pode ter descoberto conexão do crime entre Estados
Salgueiro, PE, 05 (AE) - Os parlamentares da CPI do Narcotráfico acreditam ter encontrado os elos que faltavam para comprovar a ligação entre o crime organizado nos Estados do Piauí, Pernambuco e Alagoas.
De acordo com o deputado Robson Tuma (PFL-SP), o esquema vem sendo investigado desde a implantação da CPI em Alagoas, em dezembro de 1999, e já existem provas ligando o chefe do crime no Piauí, coronel da Polícia Militar, José Viriato Correia, ao coronel da PM alagoana, Manoel Francisco Cavalcanti. Os dois estão presos.
Hoje, na operação da CPI em Salgueiro (518 quilômetros do Recife), das cinco testemunhas ouvidas, pelo menos duas citaram o deputado estadual de Pernambuco, Eudo Magalhães, como um dos líderes do crime organizado na Zona da Mata pernambucana. O nome do deputado e de seu irmão, Enoelino Magalhães (ex-deputado), foram citados durante o depoimento do ex-policial Manoel Soares de Freitas, o Falcon, preso desde 1994 por tráfico.
Em depoimento prestado na madrugada de hoje, na Assembléia Legislativa do Recife, Eudo Magalhães negou o envolvimento com as quadrilhas comandadas pelos militares: "Sou pessoa de bem e não dou abrigo para militares alagoanos acusados de crimes."
Os indícios da participação de Pernambuco no negócio, segundo Tuma, foram levantados ainda durante as investigações em Alagoas, pelo depoimento de uma testemunha que citou os dois irmãos como comandantes do esquema no Estado.
Entre os crimes atribuídos estão tráfico de drogas, armas, lavagem de dinheiro e pistolagem. Segundo uma fonte da CPI, que prefere não se identificar, o traficante carioca Miguel Alves, o Miguelzinho, preso no final do ano passado no Recife, depois do sequestro do empresário Gustavo Schuwamba, deve ser ouvido nos próximos dias. Espera-se que ele revele como operava o esquema do deputado pernambucano. "Talvez com isso fechemos o cerco do triângulo Pernambuco, Piaui e Alagoas", afirmou a fonte.
A segunda testemunha a depor identificou-se com o codinome Sertão e acusou 17 pessoas ligadas às famílias Ferraz e Novaes - entre elas, o deputado estadual Afonso Augusto Ferraz (PSDB-PE) e o empresário Rinaldo Ferraz -, do município de Floresta, de participação no crime organizado na região sertaneja do Estado.
Nos últimos vinte anos a briga entre as famílias citadas (supostamente pelo comando do tráfico na região) já fez mais de trinta mortos. Também foram ouvidos o prefeito do município de Serrita, Carlos Cecílio (PFL), o gerente do Banco do Brasil, Quintino Robson, e a testemunha Maria Auxiliadora de Fátima.





