CPI pode pedir prisão de deputados, prefeitos e delegados no MA
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segunda-feira, 25 de outubro de 1999
Por Fausto Macedo (enviado especial) 
São Luís, 26 (AE) - Menos de 24 horas depois de desembarcar no Maranhão e assumir as investigações sobre o crime organizado no Estado, a CPI do Narcotráfico concluiu que já dispõe de provas suficientes para requerer à Justiça a decretação da prisão de dois deputados locais, três prefeitos, quatro delegados e sete policiais militares. O grupo é suspeito de promover roubos de carretas e cargas, fraudes, corrupção, desvio de recursos públicos, receptação, contrabando de drogas e assassinatos.
Os principais nomes do primeiro escalão do crime no Maranhão
segundo sustenta a CPI, são os deputados José Gerardo de Abreu (PPB) e Francisco Caíca (PSD). Os prefeitos acusados são Avenir Pacheco Andrade (município de Amapá do Maranhão), William Amorim (Nova Olinda) e Juscelino Rezende (Vitorino Freire). Dois delegados denunciados, Almir Macedo e Luís Moura, teriam tido participação na trama da morte do delegado Stênio Mendonça. Moura é tido, também, como chefe de grupo de extermínio que atua há mais de uma década em São Luís e no interior. A morte do delegado Mendonça aconteceu em maio de 1997. Na época, ele estava empenhado em reunir provas contra os deputados Abreu e Caíca. Abreu teria pago R$ 200 mil pela execução do delegado.
Os outros dois delegados citados são Paulo Roberto e Raimundo Nonato, ex-delegado-geral de Polícia Civil do Maranhão, acusado de envolvimento na chacina dos pistoleiros que mataram o delegado Mendonça.
O relato de três assaltantes de carretas - Jorge Meres, José João Soares, o Jota, e Carlos Antonio Maia, o Carlinhos -, além de depoimentos contraditórios dos acusados e a coleta de provas levaram a CPI do Narcotráfico a decidir pelos pedidos de prisão. O relator Moroni Torgan (PFL-CE) disse estar convencido do envolvimento de todos os suspeitos com o crime organizado. À tarde, os ladrões foram levados ao plenário da Assembléia para uma acareação com o delegado Luís Moura.
Protegidos com coletas à prova de bala, Meres, Jota e Carlinhos ficaram frente a frente com o delegado. "O senhor usou a lei para roubar e matar", acusou Meres. "Estou sendo escandalizado por pistoleiros, sou um policial de ficha limpa", reagiu Moura. "Suas mãos também são limpas, delegado?", interrompeu o relator da CPI. "Acabei de lavá-las", ironizou Moura. "O senhor é cara-de-pau, devia ter vergonha na cara; eu sou bandido e assumo, o senhor é mentiroso", emendou Carlinhos. Fora do prédio da Assembléia, uma multidão delirava acompanhando os lances da acareação num telão.
Depois, foi a vez do delegado Almir Macedo prestar depoimento. O ladrão de cargas Messias Brito Vital acusou o prefeito de Amapá do Maranhão Avenir Pacheco Andrade de comprar mercadorias roubadas nas estradas.


