CPI pedirá quebra de sigilo de empresas de Sozza
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quarta-feira, 03 de novembro de 1999
Por Roberta Jansen 
Rio, 04 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico pedirá, ainda esta semana, a quebra do sigilo bancário das empresas de William Sozza, em Campinas (SP). O empresário foi apontado no depoimento do motorista Jorge Meres, que faria parte da ala maranhense da quadrilha do deputado cassado Hildebrando Paschoal e trabalhou para Sozza, como integrante de uma organização que controla o crime organizado em 14 estados. "Como relator de Campinas, não tenho dúvidas de que Sozza é a pessoa de ligação de todo o esquema", afirmou o deputado Pompeo de Mattos (PDT/RS).
Os deputados da CPI já requereram ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo dados sobre as pessoas que integravam a executiva do PRTB em Campinas, partido do qual Sozza foi presidente. Os políticos serão ouvidos pela CPI a partir do dia 16, quando os deputados chegam a Campinas. Serão ouvidos também oito empresários locais.
"Queremos saber tudo sobre as pessoas que cercavam Sozza", explicou o presidente da CPI, deputado Magno Malta (PTB/ES). "Queremos saber se essas pessoas estavam envolvidas em algum esquema criminoso", acrescentou Mattos. Segundo Malta, o motorista Meres afirmou em seu depoimento que Sozza seria testa-de-ferro do empresário Paulo César Farias - tesoureiro da campanha de Fernando Collor de Melo morto em Alagoas.
Para o relator da CPI da parte referente a Campinas, a ida dos deputados à cidade pode definir algumas prisões. Os parlamentares pretendem fazer diligências nos depósitos de Sozza
nos quais, segundo o depoimento de Meres, seriam guardadas drogas e cargas roubadas - o que foi negado pelo empresário em seu depoimento. "Pretendemos também fazer diligências nas empresas dele, como a Dog Center, especializada em assessórios para cachorros", contou Mattos. Os deputados desconfiam que as empresas serviriam para fazer lavagem de dinheiro do tráfico.
De acordo com o que foi apurado pelos deputados, a quadrilha teria pelo menos vinte integrantes. Além de atuar no narcotráfico, teria braços para distribuição de mercadorias roubadas e lavagem de dinheiro.


