Brasília, 17 (AE) - A CPI do Narcotráfico vai analisar somente 30% da documentação recolhida com a quebra dos sigilos telefônicos, bancários e fiscais de pessoas e empresas investigadas até o fim de seus trabalhos, em março. A estimativa é do presidente da comissão, deputado Magno Malta (PTB-ES), que enviará toda a documentação sem análise às assembléias legislativas dos Estados que tenham comissões parlamentares sobre narcotráfico. Ele lamentou a "resistência" de órgãos do governo em enviar documentos à CPI.
"Se conseguirmos avaliar 30% de toda a documentação que recebemos já terá sido uma vitória", disse Magno Malta. O parlamentar comentou que está sendo feito um levantamento do total de sigilos quebrados e também daqueles que foram aprovados
mas ainda não foram votados. A primeira estimativa da CPI é que mais de 300 sigilos tenham sido quebrados ao longo de meses de apuração. Segundo os parlamentares, há uma pilha com mais de 500 volumes, alguns reunindo mais de 1.000 páginas guardados nas salas da comissão.
Segundo o presidente da CPI, o atraso na análise de documentos se deve principalmente à falta de técnicos especializados e aos atrasos no envio de documentos requisitados junto a órgãos públicos. A CPI conta com a ajuda de técnicos do Banco Central, da Sub-secretaria de Inteligência da Presidência da República, do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Receita Federal. Na semana passada, a comissão entrou em contato com a Presidência da República, que tinha decido substituir por "três novatos" os técnicos que vinham acompanhando as quebras de sigilo desde o ano passado. Na sexta-feira, a CPI teve a garantia de que o pessoal não seria trocado.
A maior dificuldade, segundo Magno Malta, são os constantes atrasos no envio de documentos. No ano passado, a CPI fez várias críticas ao Banco Central. Grande parte da documentação, segundo os técnicos da CPI, chegou só nos últimos dois meses do ano passado. Na semana passada, parlamentares da comissão, irritados com a Receita Federal, se reuniram com o secretário Everardo Maciel para cobrar providências. Maciel prometeu fazer uma auditoria em todas as empresas e pessoas físicas que tiveram sigilos quebrados. "Só beneficiaram os bandidos e prejudicaram a sociedade com estes atrasos", disse Magno Malta.
Assembléias - A CPI do Narcotráfico está incentivando a criação de comissões estaduais para investigar o narcotráfico para envio de documentação ainda não analisada, inclusive as quebras de sigilos. "Onde tiver CPI instalada vamos enviar a documentação." Magno afirmou que a CPI do Narcotráfico vai contribuir muito com as comissões instaladas em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Maranhão e Espírito Santo, Estados que já vêm sendo investigados desde o ano passado e sobre os quais há farta documentação.
O presidente da CPI disse que a falta de análise sobre toda a documentação não compromete os trabalhos da comissão. "A CPI já mostrou várias ações concretas", disse. Malta afirmou que as reações contra os trabalhos da CPI são "muito fortes", mas que será possível deixar boas sugestões. Magno afirmou que os parlamentares da CPI deverão sugerir vários tipos de políticas públicas contra as drogas. "A primeira delas é incluir o tema no currículo escolar", disse. Outra sugestão, afirmou Magno Malta, é a criação de um batalhão de fronteiras para coibir o narcotráfico.

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