CPI pedirá a Covas que libere informações sobre narcotráfico
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quinta-feira, 02 de dezembro de 1999
Por Hugo Marques 
Brasília, 02 (AE) - A CPI do Narcotráfico vai pedir amanhã (03) ao governador Mário Covas (PSDB) que abra todos os dados sobre o crime organizado em São Paulo. Além do presidente da CPI
deputado Magno Malta (PTB-SP), deverá participar do encontro o deputado Robson Tuma (PFL-SP). "Na conversa com o governador Mário Covas nós vamos colocar a CPI à disposição do Governo de São Paulo", disse Magno Malta. O presidente da CPI preferiu não antecipar os detalhes do encontro, mas uma das intenções da CPI é que o governador disponibilize todas as informações relativas a apreensão de drogas, prisões e fugas de traficantes e dados sigilosos dos setores de investigação.
O encontro desta sexta-feira (03) tem por objetivo, segundo parlamentares da CPI, "pacificar" as relações com o governador Covas, já que no curso da CPI alguns parlamentares chegaram a criticar a falta de sintonia entre os três poderes em São Paulo para combater o narcotráfico. "Queremos que o Covas coloque todos os dados à disposição da CPI", disse um parlamentar.
Quadrilha - A ajuda do governo de São Paulo, segundo alguns parlamentares, é crucial para identificar os responsáveis pelos grandes esquemas de lavagem de dinheiro no País. A CPI já dispõe de informações sobre grande número de empresas e pessoas físicas que "lavam" (legalizam) o dinheiro narcotráfico em São Paulo.
A CPI também dispõe de informações mostrando que a quadrilha de traficantes ligada à Força Aérea Brasileira (FAB) tem "braços" no Rio, São Paulo e Minas Gerais. Muitos telefones e residências já foram identificados nestes Estados e é necessária a ajuda dos governos.
Resistência - Pelo menos três parlamentares da CPI disseram hoje que estão sentindo uma grande resistência dos poderes em São Paulo para investigar o narcotráfico e a lavagem de dinheiro. Segundo estes parlamentares, ao aproximar-se da capital, já na cidade de Campinas, a CPI começou a ser bombardeada por alguns setores.
Além de São Paulo, a CPI pretende concentrar seus trabalhos no Espírito Santo. Na próxima semana estarão sendo enviadas "diligências" a cinco Estados. O deputado Moroni Torgan (PFL-CE), relator da CPI, vai compor a comitiva do Espírito Santo. Os parlamentares acreditam que é no Espírito Santo que a situação está mais "podre", já que envolveria autoridades e políticos, segundo as primeiras informações recebidas pela CPI.


