CPI pedirá a Covas afastamento de policiais investigados
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segunda-feira, 10 de abril de 2000
Por Marcelo Godoy, Vera Freire e Antonio José do Carmo 
São Paulo, 11 (AE) - O comando da CPI do Narcotráfico vai pedir ao governador Mário Covas (PSDB) o afastamento dos policiais investigados pela comissão e modificações na forma de atuação das corregedorias das polícias do Estado. Segundo os deputados, as corregedorias não têm investigado com profundidade as denúncias de envolvimento de policiais com o crime organizado.
Covas e o secretário da Segurança Pública, Marco Vinicio Petrelluzzi, têm-se negado a afastar os policiais denunciados, alegando não querer cometer "arbitrariedades" contra pessoas que são alvo de denúncias anônimas, ou que não foram comprovadas.
Em Araçatuba, o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), voltou a afirmar hoje que não há "banda podre" na polícia paulista. Ele disse que em seu governo já foram demitidos 1.900 policiais militares e 600 civis por irregularidades e crimes.
Covas também criticou o imediatismo de alguns setores de investigação que lançam nomes de suspeitos sem provas concretas ou direito amplo de defesa. "De repente, falam em 1.600 policiais envolvidos com o crime em São Paulo, mas eu não sei quem são e nem o que fizeram."
DEPOIMENTO - Inocência. Essa será a alegação do delegado Marcelo Teixeira Lima em seu depoimento de amanhã (12) na CPI do Narcotráfico. Lima, 15 policiais civis e um militar de São Paulo foram acusados por um informante de estarem envolvidos com o tráfico de drogas. "As acusações contra meu cliente são infundadas, foram feitas por um condenado a 22 anos de prisão por tráfico", disse o advogado Fernando Canizares.
Laércio Cunha, nome fictício do informante, fez as denúncias contra os policiais paulistas no Rio, há duas semanas. Em seu depoimento na Corregedoria da Polícia Civil, o delegado afirmou não conhecer Cunha. De acordo com os policiais, o informante ajudava um dos investigadores denunciados, Celso dos Santos. Lima trabalhou com Santos quando estava na Delegacia de Roubos. Desde 1999, o delegado está na Delegacia de Roubo de Cargas.
De acordo com o advogado de Lima, o informante teria auxiliado Santos "duas ou três vezes". Além do delegado, a corregedoria já chamou para depor 15 dos 16 policiais citados - um ainda não foi identificado. A corregedoria ouviu os policiais com base numa cópia do depoimento dado pelo informante na CPI. Além de integrantes do Depatri, foram acusados policiais do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap).
Soltos - Um dos principais acusados pela CPI do Narcotráfico durante a passagem dos deputados pela cidade de Campinas, no fim do ano passado, o investigador Antônio Lázaro Constâncio continua trabalhando na Delegacia de Roubos do Departamento de Investigações Patrimoniais (Depatri). Conhecido como Lazinho, ele entrou em férias em 1º de abril. Constâncio chegou a ficar preso por 30 dias. Ele foi solto pela Justiça, que se recusou a prorrogar a prisão por mais um mês, como queria a CPI. De acordo com a Justiça, não havia razões para a manter o investigador encarcerado. Além dele, os outros policiais de Campinas presos a pedido da CPI foram soltos e já voltaram ao trabalho.
O diretor da Corregedoria da Polícia Civil, delegado Ruy Estanislau Melo, disse hoje que todas as denúncias contra policiais que chegaram ao órgão foram ou estão sendo apuradas. A corregedoria atua somente na capital do Estado. Nos demais municípios da Grande São Paulo e no interior, esse trabalho é feito, por enquanto, nos departamentos de polícia do interior. "Entreguei nesta semana um plano ao secretário que torna estadual a atuação da corregedoria", disse Melo.
Pelo plano de Melo, a corregedoria passaria a contar com 7 subsedes no interior e uma para os municípios da Grande São Paulo (exceto a capital) subordinadas ao diretor do órgão. Melo espera, desta forma, melhorar a apuração das denúncias contra policiais. "Alguns casos graves ocorridos no interior já são apurados por nós, como o sumiço de 300 quilos de cocaína no Instituto Médico-Legal de Campinas."


