São Paulo, 18 (AE) - A CPI dos Fiscais decidiu pedir a quebra de sigilo bancário e fiscal da vereadora Maeli Vergniano (sem partido) e de seu marido, o funcionário público Josué Magliarelli. A decisão foi tomada depois do depoimento prestado por Magliarelli à comissão durante três horas, das 21h45 de ontem à 0h40 de hoje.
Além de não saber explicar a evolução patrimonial do casal, ele fez revelações que surpreenderam os integrantes da CPI. A principal delas é que, como funcionário da Secretaria das Administrações Regionais (SAR), fiscalizava o trabalho da empresa coletora de lixo Vega Engenharia Ambiental sem conhecer as obrigações que o contrato estabelecia.
"Nunca vi o contrato", disse. "Eu conferia o número de homens que deveriam trabalhar de acordo com o que a planilha da Vega mandava." O presidente da CPI, José Eduardo Cardozo, perguntou como ele sabia o número estabelecido de funcionários para varrer as ruas de Pirituba, já que não conhecia o contrato. "Eu não sabia."
Conforme revelou o jornal O Estado de S. Paulo, a Vega Engenharia Ambiental, fiscalizada por Magliarelli, emprestava carro, pagava combustível e motorista para a família. A acusação é confirmada pelo ex-motorista da vereadora Elizeu Sanches, que admitiu levar os filhos do casal para o colégio com o veículo. Por causa disso, Maeli foi indiciada por peculato e formação de quadrilha.
No depoimento, Magliarelli afirmou que a família jamais utilizou o carro da Vega. "O Fiat da Vega era usado pelo senhor Elizeu." Os vereadores mostraram a Magliarelli a cópia de um registro policial de furto do carro da Vega, da frente de sua casa, no Jardim São Paulo. Na ocorrência, há a assinatura de Magliarelli, como vítima do roubo. O marido da vereadora respondeu que não se lembrava de ter declarado ser a vítima e alegou que registrou o furto do carro usado pelo motorista para fazer uma "boa ação".
Casa na praia - Num dos momentos mais tensos do depoimento, o vereador Wadih Mutran (PPB) perguntou como o casal havia comprado, praticamente à vista, uma casa no Jardim Acapulco, no Guarujá, no valor de R$ 280 mil e uma perua Mitsubishi, de R$ 40 mil, somente com os rendimentos do casal - que não somariam R$ 10 mil ao mês. "Nós trabalhamos muito e economizamos", disse Magliarelli, arrancando risos do público. Seguiu-se um diálogo em tom ríspido: - Em dezembro de 1996 o senhor tinha todo esse dinheiro no banco? - perguntou Mutran. - Não. - Ah, então o dinheiro estava em casa? - Não, estava na poupança. - Na declaração de bens de 31 de dezembro de 1996, vocês declararam o dinheiro que estava no banco, na poupança? - Não me recordo.
Magliarelli também não soube dizer em quantas prestações a casa foi comprada do publicitário Washington Olivetto. "Esse senhor faltou muito com a verdade, escondeu muita coisa", comentou Mutran, no fim do depoimento.
A opinião dos integrantes da CPI é de que na investigação sobre Maeli há muito mais provas do que no caso do vereador Vicente Viscome. "As coisas estão muito complicadas para ela", afirmou Cardozo.

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