Rio Branco, 09 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara pede esta semana a inclusão do delegado Carlos Bayma, da Polícia Civil do Acre, no Programa de Proteção à Testemunha do Ministério da Justiça. Bayma, suspeito de ser o braço direito do deputado federal Hildebrando Pascoal (sem partido-AC) em esquemas do tráfico de drogas e assassinatos de testemunhas, teria feito "revelações bombásticas" sobre a atuação dos grupos de extermínio na região.
Outras quatro pessoas - identificadas pelos nomes falsos de "Ezequiel", "João" e "Josefina", e uma quarta, que sequer teve o codinome revelado pelo Ministério Público Federal (MPF) - devem ser incluídas na lista que a CPI apresentará á Justiça nas próximas horas. O presidente da CPI, Magno Malta, condicionou a entrega do relatório da comissão à confirmação da proteção de Bayma e de todas as testemunhas que, segundo ele, correm riscos de morte desde de que resolveram falar o que sabem sobre os crimes hediondos e o narcotráfico no Acre.
Bayma foi recentemente afastado do cargo de delegado titular em Feijó (300 quilômetros de Rio Branco), poucos dias depois de ter o nome citado na CPI como integrante do esquadrão da morte. No dia 1º, em depoimento à CPI instalada em Rio Branco, Bayma negou qualquer envolvimento com Pascoal. Em sessão secreta, no entanto, teria indicado o cemitério clandestino onde foi encontrada a ossada de uma vítima ainda não-identificada.
O comandante da Polícia Miltar, Gilvan Vasconcelos, disse hoje que deseja ver, além de Bayma, "mais policiais civis punidos". "Estamos dando o exemplo, punindo os envolvidos; as outras instituições devem o fazer também", disse Vasconcelos. Um grupo de seis PMs citados pela CPI como envolvidos no tráfico e nos grupos de extermínio foi preso. O último, o cabo Sebastião Uchôa, foi detido hoje, no xadrez do Comando- Geral. O procurador da República Luís Francisco de Souza diz que são 40 os policiais civis e militares no tráfico e nos grupos de extermínio.

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