A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o roubo e desvio de cargas no Paraná encaminha nesta semana, para Brasília, um pedido de revisão da legislação nacional quanto ao furto e sequestro de cargas transportadas pelas estradas federais e estaduais. Entre as sugestões que serão apresentadas estão a mudança da relação entre o Brasil e o Paraguai e a obrigatoriedade de fabricação de caminhões com rastreadores via satélite. ‘‘Precisamos de leis mais eficazes, mais sérias’’, destacou ontem o deputado estadual César Seleme (PPB), presidente da CPI.
As sugestões foram levantadas após o depoimento ontem do presidente do Sindicato de Transportadores de Cargas de Guarapuava e diretor da Associação Brasileira de Transportadores de Cargas, Luiz Anselmo Trombini. Ele contou que o acordo entre o Brasil e o Paraguai permite que os caminhões roubados sejam retirados do País e, mesmo sabendo onde estão, não possam ser resgatados. ‘‘Temos que garantir legalmente que as empresas lesadas possam recuperar as mercadorias e caminhões roubados’’, afirmou ele.
Outra alteração legal que poderia ser feita na legislação atual é a identificação de produtos com mecanismos de segurança, como código de barras. ‘‘Os lotes de medicamentos roubados, por exemplo, seriam identificados rapidamente com esta técnica’’, disse Trombini. A produção de veículos de carga com rastreadores também poderia ser uma exigência legal. ‘‘Atualmente gastamos 10% do valor do frete com a segurança dos nossos veículos. Se o rastreador já estivesse no caminhão, pagaríamos isto de forma diluída e não perceberíamos o impacto do valor do equipamento, que é repassado ao consumidor’’, destacou, ao lembrar que o rastreador custa entre US$ 1,2 mil e US$ 3,6 mil.
Projetos estaduais para a melhoria da fiscalização das estradas também estão sendo analisados. Um deles, já em tramitação, o Estado garante a criação de uma delegacia especial para o roubo de cargas, com o apoio do Grupo Operacional de Repressão ao Roubo de Cargas (Gorrc) e do Grupo Águia (tático da Polícia Militar).
Na próxima quarta-feira, às 10 horas, a CPI do Roubo de Cargas deverá fazer a última reunião da fase de diagnóstico do problema, ouvindo o presidente nacional da Federação dos Transportadores Autônomos, Diumar Cunha Bueno.

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